A Polícia Federal retirou as credenciais de um policial norte-americano que atuava em cooperação com a instituição no Brasil. A ação ocorreu nesta quarta-feira (22/04) em Brasília. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, aplicou a medida de reciprocidade após o governo de Donald Trump solicitar a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a decisão em vídeo publicado nas redes sociais. O agente americano perdeu o acesso à unidade da Polícia Federal e às bases de dados utilizadas nas cooperações entre as polícias brasileira e americana.
“Parabéns pela sua posição em relação ao delegado americano, colocando a reciprocidade, ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltar a normalidade”, afirmou Lula.
O Ministério das Relações Exteriores informou que a reciprocidade aplicada pela PF “envolvem a interrupção imediata do exercício de funções oficiais de representante norte-americano de área homóloga em território brasileiro”.
O Itamaraty declarou que os Estados Unidos não seguiram a “boa prática diplomática de diálogo” entre “nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos” ao pedir a saída do delegado brasileiro. O procedimento adotado contra o policial norte-americano foi idêntico ao aplicado ao delegado Marcelo Ivo de Carvalho.
Delegado brasileiro atuou em prisão de Ramagem
Marcelo Ivo de Carvalho foi nomeado para atuar como oficial de ligação em Miami em março de 2023. A missão transitória tinha duração de dois anos. Sua permanência foi prorrogada em março de 2025.
O delegado participou em 13 de abril da ação que resultou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território americano. Ramagem foi solto dois dias depois. A Polícia Federal publicou no Diário Oficial da União, em 17 de março de 2026, a substituição de Marcelo Ivo pela delegada Tatiana Alves Torres.
Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal. A condenação ocorreu na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.
Lula apareceu ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. Lula anunciou a contratação de mil novos policiais federais. A distribuição inclui 630 agentes, 160 escrivães, 120 delegados, 69 peritos e 21 papiloscopistas.
“Agora estou fazendo decreto fazendo com que sejam chamados mais mil pessoas para a Polícia Federal. São 630 agentes, 160 escrivães, 120 delegados, 69 peritos e 21 papiloscopistas“, disse.
O presidente informou que recomendou ao ministro da Justiça uma convocação de agentes e delegados que estão prestando serviço fora da Polícia Federal.
“Recomendei ao meu ministro da Justiça que fizesse uma convocação a todos os agentes e delegados que estão prestando serviço fora da PF, em outro departamento, para que volte a PF, porque nós assumimos um compromisso de fazer uma guerra contra o crime organizado”, afirmou Lula.
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