Alemanha e França divergem sobre papel dos EUA em missão naval no Estreito de Ormuz

Berlim defende inclusão de Washington na operação de segurança marítima, enquanto Paris insiste que apenas nações não beligerantes devem integrar a missão

Por Redação TMC | Atualizado em
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o presidente francês, Emmanuel Macron, participam de uma coletiva de imprensa após a cúpula virtual multinacional no Palácio do Eliseu nesta sexta-feira (17/04) (Foto: Reuters)

Mais de dez países já manifestaram apoio à operação multinacional liderada por França e Reino Unido para garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz. Anunciada nesta sexta-feira (17/04), a iniciativa franco-britânica prevê garantir a liberdade de navegação e apoiar operações de desminagem na região. A principal divergência entre a Alemanha e a França gira em torno da participação dos EUA na segurança das rotas marítimas.

Berlim defende a inclusão de Washington na operação de segurança marítima. Paris, por sua vez, insiste que apenas nações “não beligerantes” devem integrar a missão, segundo informações da Bloomberg. O governo britânico descreveu a proposta europeia como “estritamente de natureza defensiva” e informou que a operação será implementada “assim que as condições permitirem”.

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Emmanuel Macron, Keir Starmer, Friedrich Merz e Giorgia Meloni se reuniram em Paris. Os líderes defenderam a “reabertura total, imediata e incondicional” da via marítima. Cerca de 50 países participaram das discussões, presencialmente ou por videoconferência, incluindo nações europeias, asiáticas, do Oriente Médio e da América Latina.

Estados Unidos, Irã e Israel não foram convidados para o encontro por serem partes diretamente envolvidas no conflito. A missão avança em meio a um cessar-fogo instável no Oriente Médio. O Irã anunciou que o Estreito de Ormuz voltou a ser navegável durante a trégua.

O Estreito de Ormuz é uma rota marítima crucial para o comércio internacional de petróleo. O bloqueio do estreito foi imposto após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel. A situação gerou preocupação entre países europeus devido aos riscos de alta nos preços de energia, inflação, escassez de alimentos e impactos no transporte aéreo.

Ainda não está claro, no entanto, se o anúncio se refere ao cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã — previsto para durar até 22 de abril — ou à trégua de 10 dias entre Israel e o Hezbollah no Líbano. A reabertura permanece condicionada à manutenção do cessar-fogo. A reabertura do estreito anunciada por Teerã ajudou a aliviar os mercados de petróleo.

A Itália sinalizou prontidão para participar da missão. O governo italiano estabeleceu como condição prévia “um cessar das hostilidades, em coordenação com todos os atores regionais e internacionais”. O formato da iniciativa lembra a chamada “coalizão dos dispostos”, utilizada para coordenar ações militares em outros conflitos recentes.

Recursos militares e planejamento

A França já posicionou recursos militares na região. O país enviou fragatas, um porta-aviões, aeronaves e sistemas de defesa aérea. O Palácio do Eliseu estabeleceu como prioridades da operação a desminagem do estreito, a garantia de que não haja cobrança de pedágios para a passagem de navios e a proteção das regras internacionais de liberdade de navegação.

Macron afirmou que uma eventual operação contará com “coordenação” com Washington e Tel Aviv, além de diálogo com armadores e seguradoras. O presidente francês mantém contato com autoridades americanas e levou essa posição ao governo iraniano.

A Alemanha avalia sua possível contribuição. O país considera enviar embarcações de desminagem ou reconhecimento, mas dificilmente enviará fragatas devido a compromissos com a Otan em outras regiões. Friedrich Merz afirmou a jornalistas em Berlim que qualquer participação alemã dependerá de um mandato internacional, preferencialmente da ONU, além de aprovação do governo e do Parlamento.

“Ainda estamos longe de um cenário assim”, disse o chanceler alemão. Antes da reunião, Merz também reconheceu divergências entre os países sobre o papel dos EUA e afirmou que o tema ainda será discutido.

Segundo Donald Trump, o Irã já iniciou a remoção de minas no estreito “com a ajuda dos Estados Unidos”. Trump já criticou os europeus, acusando-os de não ajudar Washington no confronto com o Irã. O presidente dos Estados Unidos também propôs a cobrança de pedágios para navios no estreito. A França rejeitou essa medida.

Uma nova reunião está marcada para a próxima semana em Londres. O encontro deve tratar do planejamento militar e apresentar mais detalhes sobre a composição da missão. Permanecem indefinidos os detalhes específicos sobre a composição final da missão e quais países efetivamente participarão.

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