A crise política na Colômbia ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (7), após o presidente eleito, Abelardo de la Espriella, acusar o atual presidente, Gustavo Petro, de tentar promover um “golpe de Estado” para impedir a transferência de poder. Em resposta, o governo manteve as críticas ao resultado eleitoral, aprofundando o impasse entre os dois grupos políticos.
Espriella anunciou a suspensão da participação de sua equipe no processo de transição, afirmando que não negociará com um governo que, segundo ele, se recusa a reconhecer o resultado das urnas. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o presidente eleito também pediu que as Forças Armadas cumpram a Constituição e não obedeçam a eventuais ordens que considerem contrárias à democracia.
A declaração ocorreu um dia depois de Petro voltar a questionar a legitimidade da eleição, sem apresentar provas de irregularidades. O presidente também convocou manifestações de apoiadores e afirmou que não reconhece a vitória de Espriella.
A disputa ocorre após uma eleição marcada por forte polarização. O candidato governista Iván Cepeda foi derrotado no segundo turno, mas tanto ele quanto Petro levantaram suspeitas sobre o processo eleitoral. Até o momento, porém, não foram apresentadas evidências de fraude.
Missões de observação da União Europeia e do Carter Center afirmaram que a votação transcorreu de forma transparente, organizada e sem indícios de manipulação generalizada.
O processo de transição está previsto na legislação colombiana e estabelece a troca de informações entre o governo que deixa o poder e a equipe do presidente eleito antes da posse, marcada para 7 de agosto. Apesar da decisão de Espriella de interromper a participação de sua equipe, o governo Petro afirmou que continuará cumprindo os procedimentos previstos em lei.
A crise amplia a instabilidade política no país. Espriella, apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa a direita colombiana, enquanto Petro é o primeiro presidente de esquerda da história recente do país. A relação entre os dois foi marcada por ataques durante toda a campanha eleitoral e segue tensa no período que antecede a posse do novo governo.
*Com informações da Reuters
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