Quem é Kevin Warsh, economista escolhido por Trump para comandar o Fed

Substituto de Jerome Powell terá como primeiros desafios controlar a inflação e lidar com cobranças do presidente sobre a política monetária dos EUA

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa durante a cerimônia de posse do novo presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, na Sala Leste da Casa Branca, em Washington, D.C., nos Estados Unidos, em 22/05/2026
(Foto: Jonathan Ernst/Reuters)

O economista Kevin Warsh assumiu nesta sexta-feira (22/05) a presidência do Federal Reserve, o Fed, em uma cerimônia realizada na Casa Branca e conduzida pelo presidente Donald Trump. Aos 56 anos, Warsh chega ao comando do banco central americano em meio a pressões inflacionárias, tensão geopolítica e debates sobre a independência da instituição.

Ex-governador do Fed entre 2006 e 2011, Warsh ganhou projeção durante a crise financeira global de 2008. Desde então, tornou-se uma voz crítica da política monetária adotada pela instituição nos últimos anos, especialmente em relação aos programas de compra de títulos e à condução da inflação.

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A escolha de Trump foi vista como estratégica. Warsh tem histórico de proximidade com o republicano e defende uma atuação mais firme no combate à inflação, embora também tenha apoiado, em diferentes momentos, cortes de juros para estimular a economia. Durante a cerimônia de posse, Trump afirmou que o novo presidente do Fed terá “total independência” para conduzir a política monetária.

A chegada de Warsh ocorre em um momento delicado para a economia dos EUA. A inflação americana segue acima da meta de 2% do Fed, pressionada pelo aumento dos preços de energia, pelos efeitos da guerra envolvendo Irã e Israel e pelos impactos econômicos da expansão da inteligência artificial.

Nos mercados financeiros, cresce a expectativa de que o Fed volte a elevar os juros ainda neste ano. Atualmente, a taxa básica americana está entre 3,5% e 3,75%, mas investidores já apostam em novas altas para conter a inflação.

Em sua audiência no Senado, Warsh afirmou que “a inflação é uma escolha do Fed”, indicando que pretende priorizar o controle dos preços. Ao mesmo tempo, ele terá de equilibrar a pressão política de Trump, que criticou repetidamente o ex-presidente do Fed, Jerome Powell, por manter juros elevados.

A primeira grande decisão de Warsh no comando do banco central ocorrerá na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), marcada para 16 e 17/06. O encontro será acompanhado de perto por investidores e analistas, que aguardam sinais sobre o futuro da política monetária americana.

Warsh se torna o 17º presidente do conselho de governadores do Fed e terá mandato de quatro anos. Sua gestão será observada tanto pela condução da inflação quanto pela capacidade de preservar a autonomia do banco central diante das pressões políticas da Casa Branca.

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