O governo do presidente Donald Trump anunciou oficialmente na quinta-feira (28/05) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida passa a valer em 5 de junho e representa uma mudança importante no tratamento internacional dado às duas maiores facções criminosas do Brasil.
Mas por que os Estados Unidos estão tão preocupados com o PCC ou com o Comando Vermelho? O principal objetivo do governo americano é voltar a ter uma influência total – militar, econômica, social, política e cultural – na América Latina.
Nesse objetivo alguns instrumentos vêm sendo utilizados: tarifas, aproximação de alguns países por conta de terras raras, e tantos outros temas. E tem um tema que o governo norte-americano colocou como foco: o narcotráfico.
Eles estão interessados em combater o narcotráfico na América Latina? Se a gente for ler o que os documentos norte-americanos trazem, eles dizem que colocar esses grupos como grupos terroristas os autorizam a tomar qualquer tipo de medida contra aquele país, aquele sistema financeiro, aqueles políticos. Fornecem muitas armas para controlar e influenciar o país e a região afetados.
O narcotráfico no fundo é um instrumento do governo norte-americano para ampliar a sua influência na região e para transformar essa guerra contra o terror em um instrumento de ampliação da militarização da presença norte-americana na região.
No Brasil essa decisão tem um impacto eleitoral, tem um impacto para os bolsonaristas, mas do outro lado o interesse é completar essa estratégia de militarização da América Latina usando o narcotráfico.
Não existe ninguém do lado da ordem que esteja aplaudindo o narcotráfico, mas transformá-lo em grupo terrorista abre o caminho para que nós eventualmente sejamos alvos de sanções econômicas, financeiras e até mesmo gestos militares.
Depois que o governo norte-americano fez algo muito parecido em relação ao Equador e ao México, nós tivemos ataques militares contra bases do grupo terrorista por parte de forças norte-americanas.
O governo brasileiro estava muito atento a quais seriam as consequências, não a foto. O Donald Trump receber uma pessoa ou outra é uma prerrogativa dele. Agora decisões que possam ser tomadas a partir desse encontro, era o que preocupava. E uma das decisões que preocupava era PCC e CV sendo transformados em grupos terroristas.
Toda vez que há um encontro ou contato da família Bolsonaro com o governo Donald Trump, algo acontece. Tarifaço em 2025, Lei Magnitsky, e agora essa decisão contra o Brasil.
Nesse caso o governo considera como uma ingerência do processo eleitoral brasileiro. Porque isso acontece a partir do pedido de um candidato. É uma espécie de pacto. De um lado tem um candidato que vai utilizar isso na campanha eleitoral, abafar o caso Master e há do lado do governo norte-americano um enorme interesse. Há um enorme interesse.
Encontramos alguém que está disposto a aceitar nosso pacote de influenciar o futuro militar da América Latina. É um casamento de interesses e sem dúvida nenhuma teremos uma enorme repercussão no governo brasileiro.
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