O Ocidente falhou em sua tentativa de isolar a Rússia no mercado global, e a prova incontestável disso atende por um nome: Pequim. Ao observar, no intervalo de apenas uma semana, o desembarque de Donald Trump e, em seguida, de Vladimir Putin na China, afirmo com clareza que o mundo consolidou um novo epicentro de poder e diplomacia.
A ilusão dos Estados Unidos e da Europa de que poderiam asfixiar e bloquear a economia russa ruiu diante da abertura absoluta do mercado chinês para o gás, o petróleo e o comércio de Moscou.
Apenas no ano passado, as exportações russas para a China somaram quase 400 bilhões de dólares. Esse volume avassalador de importações comprova que as sanções ocidentais não surtiram o efeito devastador esperado.
Essa aliança comercial e estratégica não foi construída do dia para a noite. Putin e Xi Jinping já estiveram juntos em 40 oportunidades, estreitando laços e formatando aquela que é, sem dúvida nenhuma, a relação internacional mais importante para a Rússia na atualidade.
Do lado de Pequim, estender o tapete vermelho para Putin neste momento é uma demonstração claríssima de soberania. O recado de Xi Jinping ao mundo ocidental, especialmente em relação à questão da Ucrânia, é muito direto: não há quem vá ditar com quem a China pode ou não se encontrar. A diplomacia chinesa deixou absolutamente explícito que o país atua sob suas próprias regras.
Para compreender essa reconfiguração do xadrez global, precisamos olhar além do eixo Moscou-Pequim. A China tornou-se uma espécie de ímã para a diplomacia mundial. Desde o começo do ano, vimos aterrissar em solo chinês representantes do Irã, paquistaneses que atuam como mediadores de conflito, vários líderes europeus e, mais recentemente, o próprio ex-presidente dos EUA. A conclusão é inevitável: quem dita o ritmo e as possibilidades do jogo geopolítico hoje, seja na pacificação de conflitos ou na sobrevivência de potências sancionadas, está sentado em Pequim.