O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, pediu nesta terça-feira (07/07), durante audiência pública realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o cancelamento da proposta de tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros. O parlamentar discursou em inglês, acompanhado do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que atualmente vive nos Estados Unidos.
Durante os cinco minutos de participação, Flávio afirmou que a aplicação das tarifas antes das eleições presidenciais brasileiras, marcadas para outubro, seria o “pior momento possível” e argumentou que a medida acabaria punindo a população e o setor produtivo, sem atingir diretamente os responsáveis pelas decisões políticas criticadas pelos Estados Unidos.
“Respeitosamente, peço a este país: não imponha tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta parceria, cancele-a e vamos negociar”, declarou.
O senador também disse acreditar que há possibilidade de mudança no cenário político brasileiro após as eleições e defendeu que, caso os Estados Unidos desejem pressionar autoridades brasileiras, utilizem medidas direcionadas contra indivíduos, e não tarifas que afetem toda a economia.
Mudança de discurso sobre as tarifas
A participação ocorreu durante o segundo e último dia das audiências públicas promovidas pelo USTR, órgão responsável por formular a política comercial dos Estados Unidos e conduzir a investigação que poderá resultar na adoção das novas tarifas. O prazo para a decisão americana termina em 15/07.
Após a audiência, Flávio afirmou que sua posição é pelo cancelamento definitivo da medida, embora, na semana anterior, tenha enviado às autoridades americanas um documento propondo o adiamento da entrada em vigor das tarifas por 180 dias.
Segundo o parlamentar, não deseja a aplicação de qualquer tarifa contra produtos brasileiros e atribuiu ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a responsabilidade pela deterioração das relações entre os dois países.
Críticas a Lula, defesa do Pix e corrupção
Durante o pronunciamento, Flávio também criticou o governo Lula, citou casos de corrupção registrados no país e voltou a defender o PIX, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.
O senador afirmou que o sistema ampliou a inclusão financeira e argumentou que sua adoção também beneficiou empresas americanas ligadas ao setor de meios de pagamento, sustentando que o Pix não representa uma barreira comercial.
A presença de Flávio na audiência ocorreu após inscrição aberta ao público interessado em participar das sessões promovidas pelo USTR. A atuação do senador foi independente e não representou oficialmente o governo brasileiro nem o Itamaraty.
O governo federal optou por não enviar representantes para discursar, mantendo apenas observadores da Embaixada do Brasil em Washington. Segundo o Executivo, as negociações com os Estados Unidos continuam sendo conduzidas por canais diplomáticos e técnicos, considerados mais adequados para tratar da questão comercial.
Neste mês, o Brasil também apresentou uma resposta formal ao governo americano, contestando as conclusões da investigação comercial conduzida pelo USTR. No documento, o Itamaraty argumenta que os Estados Unidos não demonstraram que políticas brasileiras criem barreiras discriminatórias ao comércio e sustenta que temas como o Pix e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) não possuem natureza comercial e, por isso, não deveriam fundamentar eventuais sanções econômicas.
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