O convidado deste episódio do EM3ATOS é navegador, aviador e, enquanto cineasta, enfrentou poderosos, capatazes e garimpeiros. No trabalho com as câmeras, contou histórias de quem nem sempre cabia no quadro e protegeu personagens, quando filmar a floresta era ainda mais arriscado do que hoje.
O entrevistado em questão é o cineasta Jorge Bodanzky, alguém que juntou ficção e documento e fez da Amazônia um compromisso, e não uma tendência. Agora, aos 82 anos, admirem-se: ele segue a mesma missão de filmar o que não querem que vejamos e escutar quem jamais é ouvido.
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Na entrevista, Bodanzky relatou a grave situação do garimpo ilegal na Amazônia. Ele descreve uma infraestrutura sofisticada, com centenas de pistas de pouso clandestinas e equipamentos pesados em áreas protegidas. Assista à entrevista a seguir!
Tráfico de mercúrio
A contaminação por mercúrio surge como um subproduto letal dessa exploração, utilizado para separar o ouro de forma rudimentar e perigosa. Bodanzky destacou que o metal pesado entra na cadeia alimentar por meio dos rios, atingindo níveis alarmantes de toxicidade na fauna aquática. O tráfico de mercúrio alimenta esse ciclo, entrando ilegalmente nas fronteiras brasileiras para abastecer os garimpos.
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Saúde de ribeirinhos
A saúde dos ribeirinhos e povos indígenas é a face mais trágica desse impacto ambiental. Exames de saúde revelam que boa parte da população local apresenta níveis de mercúrio no sangue muito acima do permitido. As consequências incluem danos neurológicos severos e irreversíveis, afetando o desenvolvimento de crianças e a capacidade motora dos adultos.
O cineasta aponta que a fiscalização enfrenta desafios enormes devido à imensidão do território e ao poder econômico dos grupos por trás do garimpo. A impunidade fortalece redes criminosas que operam com logística de guerra dentro da floresta.
