Coube à restauradora Maria Helena Chartuni a dificílima tarefa de reconstruir o maior símbolo da fé brasileira: a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Em entrevista ao EM3ATOS, apresentado pelo jornalista Rodrigo Alavrez, ela contou todos os detalhes que envolvem a recuperação da estátua da padroeira do Brasil, alvo de um atentado que a quebrou em 200 pedaços, durante missa na década de 1970, em Aparecida (SP).
Um dos detalhes mais impressionantes sobre a recuperação foi a utilização de materiais modernos, popularmente conhecido como o “Durepoxi”, para reconstruir o olho direito da santa. A restauradora precisou esculpir a parte faltante à mão livre para garantir a estética da peça.
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“O olho direito de Nossa Senhora Aparecida hoje tem duro epóxi. A imagem de Nossa Senhora, a cabeça dela, sumiu uma parte da face do olho direito. Não tinha, nunca apareceu. Eu tive que fazer à mão. Usei o meu talento de escultora”, revelou Chartuni.
Outra revelação importante foi o estado crítico em que a cabeça da imagem estava, reduzida praticamente a pó e pequenos farelos. Para conseguir montar o “quebra-cabeça”, Chartuni utilizou uma caixa de areia para manter os fragmentos estabilizados. Ela também confessou que o processo foi realizado sob uma enorme pressão emocional e técnica.
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Imagem não estava intacta
A restauradora também desmistificou a ideia de que a imagem estava intacta, revelando que a peça já havia passado por repinturas inadequadas antes de chegar às mãos dela. Na entrevista, criticou o uso de tintas automotivas e a limpeza feita com escovas de dente por pessoas sem qualificação técnica.
A partir dessas observações, Chartuni decidiu, então, realizar uma manutenção anual permanente para proteger a integridade do barro original.
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Presença divina
Conforme expôs Chartuni, o trabalho não foi apenas profissional, mas uma experiência espiritual que a transformou pessoalmente. Durante a restauração, segundo relatou na entrevista, sentiu uma presença divina que a orientou durante os 33 dias de isolamento no Museu de Arte de São Paulo (Masp).
Atualmente, a escultora é tida como uma “guardiã oficial” da imagem, garantindo que o maior símbolo da fé brasileira permaneça preservado para as futuras gerações.
