A deputada federal Tabata Amaral abriu o jogo sobre os bastidores da política brasileira, traumas familiares e a superação por meio da educação em mais um episódio de “Imprevista”, comandado pela jornalista Joana Treptow. Em uma conversa sem filtros e roteiros, lançada pela TMC, a parlamentar detalhou sua trajetória da periferia de São Paulo à Universidade de Harvard e analisou os desafios de enfrentar privilégios consolidados no Congresso Nacional.
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O episódio mergulha nas raízes da deputada, que viu na educação pública a única saída para contrariar as estatísticas da periferia. A conversa, no entanto, ganha contornos de vulnerabilidade quando Tabata relembra a dependência química e o suicídio do pai, tragédia que ocorreu dias antes dela conquistar a bolsa de estudos nos Estados Unidos.
“É muito duro você realizar o maior sonho da sua vida e quatro dias depois você viver o dia mais triste da sua vida. É muito difícil não acreditar que não é sua culpa. É como se ao sonhar em fazer uma faculdade, estudar fora, eu tivesse causado tudo aquilo.”
Jornada na política
Durante a entrevista, a deputada não fugiu de temas espinhosos, como o machismo estrutural e o distanciamento da elite política em relação à realidade da população. Tabata criticou duramente o corporativismo que blinda super salários no serviço público e rebateu a ideia de que o sucesso depende exclusivamente do esforço individual em um país marcado pela desigualdade.
“Pessoas que nasceram pobres trabalham muito mais, se esforçam muito mais, têm que ser muito mais talentosas. O que acontece é que elas largam tantos quilômetros atrás, que muitas vezes não conseguem alcançar quem largou na frente. Uma parte do seu sucesso é privilégio. É porque você nasceu onde você nasceu.”
A parlamentar também relembrou o forte isolamento e os ataques que sofreu ao votar a favor da Reforma da Previdência logo no início de seu primeiro mandato. Segundo ela, a decisão foi pautada na convicção de que o sistema anterior beneficiava apenas uma elite do funcionalismo.
“Eu não fiz cálculo político nas minhas votações. Eu preciso chegar em casa, dormir e estar bem comigo mesma”, afirmou.
Nikolas Ferreira e a nova geração de deputados
Ao analisar o cenário atual de polarização e o peso das redes sociais na política, a deputada foi questionada sobre as frequentes comparações feitas entre ela e outros jovens parlamentares com forte engajamento digital, como Nikolas Ferreira. Tabata foi categórica ao diferenciar o alcance na internet da efetividade legislativa.
“Eu não acho que é comparável as minhas entregas com as entregas do Nikolas. O Nikolas nunca aprovou um projeto de lei. Ele nunca fez nada que mudasse de forma concreta a vida de uma pessoa. Eu acho que político tem que trabalhar, que político tá ali para servir, para aprovar projeto.”
Vida pessoal: casamento com João Campos
Além da vida pública, a entrevista abriu espaço para a intimidade da deputada. Ela compartilhou como a fé a ajudou a ressignificar a dor e contou os bastidores de sua história com o atual marido, o prefeito de Recife, João Campos. A política revelou que os caminhos dos dois se cruzaram muito antes de se conhecerem em Brasília: aos 13 anos, Tabata recebeu sua primeira medalha em uma Olimpíada de Matemática das mãos do saudoso Eduardo Campos, pai de João e então Ministro da Ciência e Tecnologia.
“Eu brinco que eu levei a sério demais a missão que ele nos deu naquele dia, de mudar a educação pública brasileira.”
O programa “Imprevista” é uma produção original da TMC. O episódio completo está disponível no canal do YouTube e nas principais plataformas de áudio.
