Volta e meia alguém usa a Noruega como exemplo para dizer que o Brasil deveria seguir o mesmo caminho. O argumento parece irresistível: um Estado de bem-estar social forte, alta qualidade de vida e uma população satisfeita.
O problema é que a comparação para na superfície.
A Noruega é um país rico, pequeno e, sobretudo, marcado por uma confiança nas instituições que o Brasil jamais conseguiu construir. Lá, a percepção de corrupção é mínima e o cidadão acredita que o Estado trabalha em seu favor. Aqui, acontece justamente o contrário.
No Brasil, a corrupção deixou de ser um escândalo isolado para se tornar uma desconfiança permanente.
Cada lado da polarização atribui o problema apenas ao adversário, como se a corrupção tivesse ideologia. Não tem. Ela atravessa governos e alimenta um Estado que frequentemente parece distante da população.
É por isso que importar o modelo norueguês sem olhar para essa diferença é um erro.
Antes de discutir o tamanho do Estado, seria preciso discutir sua credibilidade. Sem confiança nas instituições, qualquer comparação com a Noruega não passa de uma fantasia confortável.