O rompimento político entre Flávio Bolsonaro (PL) e Michelle Bolsonaro alterou o cenário da disputa interna pela vaga de vice na chapa presidencial do senador. Com o afastamento da possibilidade de um acordo entre os dois para apoio mútuo, os nomes ligados à ex-primeira-dama, defendidos por uma ala do PL, perderam força nas negociações e deixaram de ser considerados para a composição da chapa.
Com isso, passaram a prevalecer os nomes apoiados pelo grupo mais próximo de Flávio Bolsonaro. Nesse contexto, ganhou espaço a possibilidade de indicação de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos. O principal obstáculo, no entanto, continua sendo a ausência de uma aliança formal entre PL e Republicanos, partido que, até o momento, tem sinalizado preferência por manter neutralidade na disputa presidencial.
A 18 dias da convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, a legenda ainda não fechou acordo com nenhum partido do centro para evitar uma chapa exclusivamente formada por integrantes da sigla. O cenário reforça a estratégia que vem sendo desenhada desde o início do processo eleitoral: repetir o modelo adotado por Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022, deixando a definição do vice para o limite do prazo político.
A definição precisa ocorrer até a convenção do partido, quando também deverão ser aprovadas eventuais coligações. Pela legislação eleitoral, a aliança para a eleição presidencial deve ser formalizada pelos partidos, aprovada em convenção e posteriormente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Enquanto isso, Michelle Bolsonaro passa a concentrar seu projeto político em outro eixo. A tendência é que dispute uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, lidere a campanha de candidatas conservadoras alinhadas ao seu grupo e, após as eleições, avalie uma migração para o Republicanos. A legenda abriga nomes próximos à ex-primeira-dama, como Damares Alves e Cristiane Britto, e é vista como um espaço que permitiria a manutenção de sua proximidade política com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Além de Daniella Marques, outros nomes continuam sendo avaliados para a vice-presidência. A deputada federal Simone Marquetto (PP), ex-prefeita de Itapetininga, é considerada uma das alternativas e tem demonstrado interesse na vaga. Ela participou de agendas com Flávio Bolsonaro em São Paulo e em Brasília nos últimos meses, fortalecendo sua interlocução com o núcleo da campanha. Sua eventual indicação, porém, também depende de um acordo entre o PL e a federação União Brasil-PP, que ainda não foi fechado.
Outra possibilidade é a senadora Tereza Cristina (PP), embora interlocutores afirmem que ela demonstra pouco entusiasmo com a hipótese de integrar a chapa presidencial. O foco da parlamentar permanece voltado à disputa pela presidência do Senado na próxima legislatura.
Caso as negociações com os partidos do Centrão não avancem, cresce a possibilidade de uma chapa puro-sangue. Nesse cenário, o nome da deputada federal Bia Kicis (PL) volta a ser considerado. A parlamentar também disputa internamente com Michelle Bolsonaro o espaço para a candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, tornando a definição das duas chapas parte da mesma negociação política dentro do partido.
Veja a análise completa no YouTube da TMC: