A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou que seus familiares a aconselham a deixar o cargo. A orientação ocorre devido às ofensas de caráter sexista que ela recebe diariamente. A declaração foi feita durante evento em São Paulo nesta segunda-feira (13).
A ministra participou da palestra “O Brasil na visão das lideranças públicas”, organizada pelo Instituto FHC. Durante sua fala, ela abordou as ameaças direcionadas aos integrantes da Corte. Segundo Cármen Lúcia, a situação pode levar magistrados a recusarem vagas no Supremo para evitarem se tornar alvos de ataques.
“Algumas pessoas não vão querer ir, porque a nossa família não quer que a gente fique. Para nós mulheres, nem se fala, dificuldade é enorme, porque o discurso de ódio contra homem é mau administrador. Contra nós, os senhores já viram o que fazem a meu respeito, ele é sexista, machista e desmoralizante. Todo mundo da família fala: Cármen, sai disso, já fez o que tinha o que fazer”, afirmou.
Cármen Lúcia é a única mulher na composição atual do STF. Ela mencionou que os demais integrantes da Corte também são alvos de ameaças.
A ministra reconheceu a existência de um “momento de tensão” no qual o Supremo é questionado pela sociedade. Ela afirmou que sua atuação é pautada pela legalidade. “Da minha parte, podem dormir tranquilos, porque eu tento fazer o melhor todo dia e não há nenhuma linha minha que não seja com base na lei. Eu já votei contra o meu pai, que estava vivo, e avisei a ele, no caso dos poupadores”, completou.
Esta não é a primeira ocasião em que a ministra torna público ser alvo de ataques de caráter machista. Em março, Cármen Lúcia informou ter sido comunicada sobre uma ameaça de bomba com a intenção de matá-la.
A ministra também decidiu antecipar a saída do comando do Tribunal Superior Eleitoral.
Por Agência Brasil




