O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro divulgou defesa pública contra investigação da Polícia Federal que apura suposto favorecimento ao Grupo Refit. Em vídeo, Castro afirmou que sua gestão recuperou mais de R$ 1 bilhão em dívidas da empresa — resultado que, segundo ele, contradiz as suspeitas levantadas pela corporação.
A investigação questiona se autoridades estaduais criaram condições institucionais para beneficiar a refinaria. Castro rebate argumentando que o Estado fluminense foi o único a conseguir cobrar débitos da companhia, o que tornaria ilógica a acusação de favorecimento.
Segundo Castro, após acessar a decisão judicial que embasa a investigação, identificou o que classificou como “algo estranho, muito estranho”. O ex-governador questionou a lógica das acusações: “Então pergunto: quem estaria beneficiando devedores e, ao mesmo tempo, sendo o único a conseguir cobrar o pagamento de dívidas?”.
A defesa do ex-chefe do Executivo fluminense prepara memorial para apresentação ao Supremo Tribunal Federal (STF), contestando o que chamou de “ilações irresponsáveis apresentadas pela autoridade policial”.
A investigação também aponta suspeitas sobre um encontro entre Castro e o proprietário da refinaria nos Estados Unidos. O ex-governador negou qualquer irregularidade, afirmando que o evento foi um fórum promovido pela revista Veja, com participação de autoridades brasileiras, incluindo o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso.
Quanto à Lei Complementar 225, aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em 2022, Castro rebateu acusações de que a norma teria beneficiado a Refit. Segundo o ex-governador, a legislação teve origem em recomendação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), aprovada pelos 27 estados. “Essa empresa sequer aderiu ao programa aprovado por essa lei”, declarou.
A lei foi de autoria do então presidente da Alerj, André Ceciliano. Castro argumentou que a renegociação de dívidas da refinaria ocorreu após decisão judicial que obrigou o governo estadual a cumprir a norma.
Motivação política
Castro sugeriu que a Operação Sem Refino teria motivação eleitoral. “Em anos de eleição, infelizmente, esse expediente sempre é usado. Isso é triste, muito triste. Mesmo assim, continuo acreditando na Justiça do meu país hoje e sempre”, afirmou.
O ex-governador declarou estar “inteiramente à disposição da Justiça” e manifestou “absoluta convicção da lisura” de seus atos durante a gestão.
A investigação da PF apura se a relação entre o governo estadual e a refinaria criou ambiente institucional favorável a um esquema criminoso. A defesa de Castro contesta essa interpretação, argumentando que a recuperação bilionária de dívidas demonstra o contrário — que o Estado agiu para cobrar valores devidos, não para beneficiar a empresa.
A Procuradoria-Geral do Estado participou da negociação que resultou no acordo de R$ 1 bilhão. Castro rebateu ainda suspeitas sobre alertas de órgãos ambientais, sem detalhar o conteúdo das ressalvas.




