Dani Lima: “Eduardo Cunha não tem mandato para delegar dinheiro público”

Ex-presidente da Câmara continua ditando o destino de verbas federais por meio de parlamentares que “terceirizam” suas cotas, burlando as regras do Congresso

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Sessão Solene - Homenagem aos 200 anos da Câmara dos Deputados. Ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
(Foto: Kayo Magalhães/ Câmara dos Deputados)

A Polícia Federal está aprofundando as investigações sobre uma prática irregular no Congresso Nacional: a gestão de emendas parlamentares por políticos sem mandato. O principal alvo desta etapa é o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que teve mais de R$ 6 milhões em bens bloqueados pela Justiça (em decisão do ministro Flávio Dino, do STF) para garantir um eventual ressarcimento aos cofres públicos em caso de condenação.

Segundo a apuração da jornalista Daniela Lima, Cunha atua como um “agente oculto” na destinação de verbas federais, mantendo forte influência sobre a distribuição do orçamento, mesmo após ter seu mandato cassado e ter ficado inelegível em 2016.

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Como funciona o esquema?

Para entender a gravidade do caso, é preciso compreender o que são as emendas. Emendas parlamentares são fatias do orçamento público que deputados e senadores têm o direito de direcionar para obras e projetos em suas bases eleitorais. É uma prerrogativa exclusiva de quem foi eleito pelo povo.

No entanto, a investigação revelou que parlamentares com mandato estão “emprestando” ou “doando” suas cotas financeiras para terceiros — como dirigentes partidários ou ex-deputados influentes. Esses agentes sem mandato passam, então, a decidir para qual prefeitura ou estado o dinheiro do pagador de impostos vai.

Como destaca Daniela Lima, a prática subverte a lógica democrática. O dinheiro público não é propriedade privada do deputado para ser cedido a um amigo ou cacique político. Se um parlamentar não tem onde aplicar sua cota, o dinheiro deve permanecer nos cofres públicos, e não ser terceirizado.

O caso do ex-deputado Valdemar Costa Neto (PL) exemplifica a prática: ele admitiu em entrevista que direcionava as verbas do deputado Tiririca (PL), sob a justificativa de que este não tinha contato com prefeitos.

As provas contra Eduardo Cunha

No caso de Cunha, a Polícia Federal interceptou mensagens que comprovam sua atuação direta na gestão de verbas. Nos textos trocados com uma ex-assessora da presidência da Câmara, o ex-deputado dava ordens claras sobre a movimentação de recursos públicos (ex: “tira esse dinheiro daí, bota esse dinheiro lá”).

Questionado pela própria jornalista, Eduardo Cunha admitiu ter feito indicações de emendas. Ele justificou que utilizou a cota do líder de seu partido (Republicanos) e que também atuou em nome de sua filha, a deputada federal Danielle Cunha.

A herança do “Orçamento Secreto”

A analista aponta que o surgimento dessas “eminências pardas” controlando dinheiro público é um efeito colateral do chamado orçamento secreto.

Esse mecanismo institucionalizou a falta de transparência no Congresso, permitindo que bilhões de reais fossem distribuídos a partir de acordos verbais (feitos “de boca” ou em “papel de pão”, como admitido pelos próprios parlamentares ao STF), sem que a população saiba quem indicou o dinheiro e para onde ele foi.

Leia mais: Eduardo Cunha se manifesta sobre bloqueio de R$ 6,1 milhões e diz desconhecer irregularidades

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