Entidade aponta propaganda eleitoral em evento de Flávio Bolsonaro com Silas Malafaia

Movimento Brasil Laico acusa líder religioso e parlamentar de usar cerimônia da Santa Ceia na ADVEC para promover pré-candidatura à Presidência em 2026

Por Redação TMC | Atualizado em
Flávio Bolsonaro abraça Silas Malafaia, na companhia de suas esposas
(Foto: PastorMalafaia via X)

A Associação Movimento Brasil Laico apresentou denúncia ao Ministério Público Eleitoral contra o pastor Silas Malafaia e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A representação foi protocolada na Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. A acusação aponta suposta propaganda eleitoral antecipada durante cerimônia religiosa realizada no domingo (03/05).

O evento ocorreu na sede da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), no Rio de Janeiro. Durante a celebração da Santa Ceia, o líder religioso declarou apoio público à pré-candidatura do parlamentar à Presidência da República em 2026.

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Malafaia chamou Flávio Bolsonaro ao altar durante a cerimônia. O ex-governador Cláudio Castro (PL) e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), também foram convidados. O pastor interrompeu a liturgia para realizar oração coletiva nominativa em favor dos políticos presentes.

“A Bíblia diz que há um tempo para todo propósito debaixo do sol. Esse é o tempo de eu apoiar o Flávio para presidente”, declarou Malafaia.

A manifestação representou reconciliação entre o pastor e o senador. O religioso havia questionado anteriormente a “musculatura política” de Flávio Bolsonaro.

Fundamentos da acusação

A entidade fundamenta a denúncia em três pontos: prática de propaganda eleitoral antecipada em bem de uso comum, abuso de poder religioso e abuso de poder econômico.

O documento jurídico argumenta que a cerimônia religiosa foi desvirtuada de seu propósito espiritual original. A estrutura da igreja teria sido utilizada como instrumento de campanha política. A ADVEC possui 149 templos distribuídos pelo Brasil. Segundo a representação, isso teria proporcionado vantagem eleitoral aos pré-candidatos envolvidos.

A ação judicial foi direcionada contra Malafaia, a instituição religiosa ADVEC e cinco pré-candidatos presentes no altar. Os políticos envolvidos são Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República; Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro; Sóstenes Cavalcante (PL), pré-candidato à reeleição na Câmara; Cláudio Castro (PL), pré-candidato ao Senado; e Marcelo Crivella (Republicanos), pré-candidato a deputado federal.

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A representação solicita aplicação de multas que podem alcançar R$ 25.000,00 por participante envolvido no evento. A ação pede declaração de inelegibilidade de Silas Malafaia e Flávio Bolsonaro pelo período de oito anos.

O documento solicita medidas urgentes ao Ministério Público Eleitoral. Entre elas está a preservação dos vídeos do evento. A ação pede cassação de eventuais registros de candidatura ou diplomas que possam ser obtidos pelos envolvidos.

A representação sugere que a Receita Federal investigue possível desvio de finalidade da ADVEC. Isso poderia resultar na perda da imunidade tributária constitucional da instituição religiosa.

O evento também foi marcado por declarações do pastor contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes. Malafaia classificou o inquérito das fake news como “imoral”. Ele afirmou ser alvo de perseguição política. O pastor recentemente tornou-se réu por injúria contra o comandante do Exército. Flávio Bolsonaro utilizou o espaço para reforçar sua aliança com o setor evangélico.

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