O Brasil não deve se tornar um “mero exportador” de terras raras, afirmou o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), em entrevista exclusiva à TMC nesta terça-feira (05/05). Para o parlamentar, o país precisa assegurar sua soberania no tema para se tornar “protagonista” em nível global.
‘O Brasil tem reservas significativas e nós não queremos que o país seja exportador de commodities. Queremos agregar valor, passar a etapa de beneficiamento e transformação. Não queremos ser meros exportadores de minerais”, declarou o deputado federal, relator do projeto que regulamenta a exploração de minerais críticos e estratégicos no Brasil.
Na avaliação de Arnaldo Jardim, as terras raras são a grande escolha estratégica do momento. “Minerais críticos são a moeda da vez da disputa geopolítica internacional. Muitas das ações feitas pelo governo americano tem por um lado a preocupação com o petróleo. Mas a disputa em torno de minerais críticos é mais estratégica porque dialoga com o futuro. Essa matéria é a nova fronteira do conhecimento. Isso está presente”, declarou.
Segundo o deputado, o Brasil já está entre os principais detentores de reservas de minerais críticos e ainda pode descobrir novas fontes no futuro.
“Das reservas conhecidas mundiais de terras raras, 43% se encontram em território chines, 23% no Brasil. Outro país que mais tem reserva tem apenas 6%. Embora não tenhamos um conhecimento completo do nosso geológico do nosso subsolo, conhecemos com profundidade apenas 30% do nosso território, já somos a segunda maior reserva do mundo. Isso causa uma grande oportunidade.”
Arnaldo Jardim afirmou que o papel do Brasil na exploração das terras raras vai depender dos projetos a serem aprovados no Congresso. “Seremos protagonistas? Isso tem a ver com a estratégia que vamos adotar.”
Ao todo, são 13 projetos em discussão no Congresso atualmente. Na segunda-feira (04/05), o deputado apresentou relatório que autoriza a criação de um fundo garantidor de até R$ 5 bilhões para estimular projetos na área. E o parecer vem sendo bem recebido entre os parlamentares, segundo Jardim.
Leia mais: Reunião entre Lula e Trump deve tratar de crime organizado e minerais estratégicos
“Fizemos uma compilação (entre os projetos), escolhemos um caminho, agregamos outras alternativas. Basicamente, a ideia é fazer com que todo esse capítulo, minerais críticos e estratégicos, que estão na moda por conta de toda a aplicação que se tem, possa (ser alvo) de um bom uso”, afirmou.
“Queremos assegurar soberania do país sobre isso. Não optamos por um caminho, que alguns setores defendiam, que era criar uma empresa, uma ‘Terrabras’. Seria o projeto de um estado mais intervencionista. Não deveria ser o que nos orienta neste assunto. Mas, por outro lado, o Estado tem que ter instrumentos para poder controlar e acompanhar para que essa agregação de valor ocorra.”




