Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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Encontro com Trump testa estratégia internacional de Lula

Reunião em Washington ocorre após revés no Senado e pode redefinir narrativa

Por Bruno Rizzi | Atualizado em
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, se encontram à margem da 47ª cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Kuala Lumpur, na Malásia
(Foto: Evelyn Hockstein/Reuters)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta quarta-feira (6) para os Estados Unidos, onde deve se reunir com Donald Trump em Washington na quinta-feira (7). O encontro vinha sendo negociado desde janeiro e chegou a ser previsto para março, mas acabou adiado em meio ao agravamento da guerra no Irã.

A reunião ocorre em um momento politicamente sensível para o governo, especialmente após a derrota no Senado com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, episódio que evidenciou fragilidades na articulação política do Planalto e reforçou a percepção de maior autonomia do Congresso.

Nesse contexto, a agenda internacional surge como uma tentativa de reorganizar a iniciativa política e reposicionar a imagem presidencial em um terreno no qual Lula historicamente apresenta melhor desempenho.

Se o encontro for bem-sucedido, o governo tende a explorar a imagem de um presidente capaz de manter diálogo com um interlocutor com quem tem divergências públicas relevantes, ao mesmo tempo em que reafirma a defesa da soberania nacional. Esse cenário pode reforçar a construção de uma liderança global com capacidade de mediação e articulação.

Mesmo em um cenário de resultados limitados, desde que não haja confronto público, o Planalto ainda poderá enquadrar a reunião como um gesto de afirmação da autonomia brasileira. A narrativa provável, nesse caso, será a de que houve disposição para o diálogo sem subordinação a interesses externos. Por outro lado, o cenário mais sensível seria uma reunião marcada por desgaste público ou algum tipo de constrangimento imposto por Trump.

Uma situação desse tipo pode levar o governo a acionar o discurso de enfrentamento à extrema direita internacional e de defesa da soberania, mas também abrir espaço para críticas da oposição, que tende a explorar a viagem como mal planejada ou politicamente improdutiva.

A tendência, no entanto, é de que não haja episódios de constrangimento durante o encontro, mesmo considerando o histórico de imprevisibilidade de Trump, que costuma adotar um tom elogioso ao se referir a Lula.

Além disso, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, deve integrar a comitiva presidencial, o que indica que a agenda também pode incluir sinalizações na área econômica, ainda que o foco principal seja político e diplomático.

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