Entenda como funciona a Polícia do Senado e por que Flávio Bolsonaro preferiu sua proteção à da PF

Órgão é responsável pela segurança institucional dos parlamentares, atua com inteligência própria e reforçou o esquema de proteção do senador após identificar mais de 2 mil ameaças contra o pré-candidato do PL à Presidência da República

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Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de recusar a escolta oferecida pela Polícia Federal (PF) durante a pré-campanha presidencial trouxe à tona uma instituição pouco conhecida do grande público: a Polícia do Senado Federal.

Responsável pela segurança dos senadores, servidores e das instalações da Casa, a corporação já acompanha Flávio desde que ele assumiu o mandato, em 2019. Segundo sua equipe, justamente essa relação de confiança e a estrutura própria do órgão motivaram a escolha por manter apenas a proteção da Polícia Legislativa, dispensando o efetivo da PF.

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A decisão ocorreu em meio ao aumento das ameaças contra o parlamentar. Levantamento da inteligência da Polícia do Senado identificou mais de 2 mil publicações com conteúdo ofensivo ou violento desde o início de junho, levando a corporação a ampliar o esquema de segurança.

O que faz a Polícia do Senado?

Ao contrário do que muitos imaginam, a Polícia do Senado não exerce apenas funções de vigilância patrimonial. O órgão possui atribuições semelhantes às de outras forças policiais, dentro dos limites da atuação legislativa.

Entre as principais funções estão:

  • Proteção de parlamentares, incluindo escolta do presidente do Senado e dos senadores em situações de risco comprovado, no Brasil e no exterior;
  • Policiamento ostensivo das dependências do Senado, residências oficiais e controle de acesso ao complexo legislativo;
  • Investigação de crimes ocorridos nas dependências da Casa, por meio de uma delegacia própria, encaminhando os inquéritos ao Ministério Público;
  • Atividades de inteligência, com monitoramento de ameaças contra parlamentares e a instituição;
  • Apoio às CPIs e manutenção da ordem durante sessões, audiências públicas e eventos oficiais.

Os integrantes da corporação são policiais legislativos federais concursados, treinados para atuar tanto na proteção de autoridades quanto em operações de segurança institucional.

Por que Flávio recusou a Polícia Federal?

Ao anunciar sua decisão, Flávio Bolsonaro afirmou que não confia na atual direção da Polícia Federal, comandada por Andrei Rodrigues. Segundo o senador, existe receio de que integrantes da corporação possam ter acesso a informações estratégicas da campanha.

Em publicação nas redes sociais, ele chegou a sugerir que o efetivo destinado à sua proteção fosse empregado em investigações de fraudes contra aposentados do INSS.

Além da desconfiança em relação à atual gestão da PF, a equipe do senador destacou que a Polícia do Senado já realiza sua segurança há anos e possui estrutura de inteligência, tecnologia e profissionais especializados para desempenhar essa função.

Mais de 2 mil ameaças motivaram reforço

A escolha ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de um relatório produzido pela inteligência da Polícia do Senado. Segundo o levantamento, foram identificadas mais de 2 mil ameaças contra Flávio Bolsonaro desde junho.

Os registros incluem:

  • 868 ameaças explícitas;
  • 647 mensagens de incitação à violência;
  • 640 referências codificadas;
  • 33 ocorrências consideradas mais graves, por apresentarem indícios de planejamento ou oportunidade para ataques.

Diante desse cenário, a Polícia do Senado decidiu triplicar o efetivo responsável pela segurança do senador.

Também foram anunciadas novas medidas, como reforço no armamento, ampliação da frota de viaturas, criação de um centro de comando funcionando 24 horas por dia em Brasília e uso permanente de colete balístico pelo pré-candidato.

Decisão divide opiniões

A recusa da proteção da Polícia Federal provocou reações até mesmo entre aliados.

O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, afirmou que a PF possui tradição e estrutura específica para a proteção de dignitários e avaliou que abrir mão desse aparato representa um risco.

Nos bastidores do PL, integrantes também demonstraram preocupação com os possíveis impactos políticos da decisão caso ocorra algum incidente durante a campanha.

Diferença em relação a Bolsonaro em 2018

A decisão de Flávio difere da adotada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a campanha presidencial de 2018. Na ocasião, Bolsonaro aceitou a proteção da Polícia Federal.

Quando sofreu o atentado a faca em Juiz de Fora (MG), agentes da corporação integravam sua equipe de segurança.

Desde que assumiu uma cadeira no Senado, em 2019, Flávio passou a ser protegido pela Polícia Legislativa da Casa, responsável pela segurança institucional dos parlamentares.

Papel estratégico na campanha

Embora a proteção de candidatos à Presidência normalmente conte com apoio da Polícia Federal durante o período eleitoral, parlamentares também dispõem da estrutura permanente de segurança oferecida pelo Poder Legislativo.

No caso de Flávio Bolsonaro, a combinação entre a confiança construída ao longo dos anos com a Polícia do Senado e a avaliação de risco feita pelo órgão levou à manutenção do esquema próprio de proteção, em um momento de intensificação das ameaças contra o senador e de crescente tensão no cenário político.

Leia mais: “Nem o Serviço Secreto dos EUA impediu um atentado”, diz Alvarez sobre segurança de Flávio Bolsonaro

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