A escala de trabalho 6×1 — em que o funcionário trabalha seis dias seguidos e descansa apenas um — voltou ao centro do debate nacional. Nesta terça-feira (07/04), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados discute o tema em audiência marcada para as 14h, com participação de representantes de entidades empresariais.
Estão confirmadas instituições como a Confederação Nacional do Comércio (CNC), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Confederação Nacional do Transporte (CNT), que devem apresentar avaliações sobre os impactos econômicos e operacionais das possíveis mudanças.
Como funciona a escala 6×1 hoje
Atualmente, a escala 6×1 é amplamente utilizada em setores como comércio, supermercados e alimentação, organizando a rotina com seis dias consecutivos de trabalho e um de descanso.
Pelas regras vigentes:
- A jornada semanal pode chegar a até 44 horas, conforme a legislação trabalhista
- A carga diária costuma girar em torno de 7 horas e 20 minutos
- O trabalhador deve ter ao menos um domingo de folga a cada sete semanas
Apesar de legal, o modelo é alvo de críticas por ser considerado cansativo e prejudicial ao bem-estar, especialmente pela limitação de tempo livre e convivência familiar.
O que pode mudar
A proposta em discussão no Congresso prevê uma reformulação significativa na jornada de trabalho, com foco na redução de horas sem impactar os salários.
Entre as principais mudanças em análise estão:
- Fim da escala 6×1 e adoção de modelos como 5×2
- Redução da jornada semanal de 44 para 40 ou até 36 horas
- Manutenção dos salários mesmo com menos horas trabalhadas
- Transição gradual, com prazo estimado de até cinco anos
- Regras mais rígidas para trabalho aos domingos e feriados, exigindo negociação coletiva
A iniciativa tem sido impulsionada por movimentos que defendem mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional, argumentando que jornadas extensas afetam a saúde mental e a produtividade.
Impactos e pontos de tensão
A discussão, no entanto, está longe de consenso. Para trabalhadores, a mudança representa a possibilidade de mais qualidade de vida, descanso e tempo para atividades pessoais. Por outro lado, há receio de que a carga de trabalho se intensifique nos dias restantes.
Já representantes do setor produtivo apontam desafios. Empresas podem enfrentar aumento de custos, necessidade de contratar mais funcionários e possíveis reflexos na inflação, sobretudo em segmentos que operam com margens reduzidas.
Mesmo antes de uma definição, algumas companhias já começaram a testar escalas alternativas, antecipando uma possível mudança estrutural.
Próximos passos
A audiência na CCJ marca mais uma etapa do debate. Para que as mudanças entrem em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada na Câmara e no Senado, em dois turnos de votação.
Até lá, o tema deve seguir em destaque, envolvendo diferentes setores da sociedade na discussão sobre o futuro da jornada de trabalho no Brasil.
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