EXCLUSIVO: Defesa de Ciro Nogueira critica delações e nega relação irregular com empresário

Em entrevista exclusiva à TMC, o advogado do senador afirmou que acusações são baseadas em “interpretações”

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) voltou a contestar as investigações que o envolvem e criticou o uso de delações premiadas, em entrevista exclusiva à TMC. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que as acusações são fruto de “interpretação” de mensagens obtidas em celulares de terceiros e negou qualquer irregularidade envolvendo o parlamentar.

Segundo Kakay, a operação recente não decorre diretamente de delação formal, mas da análise de conteúdos encontrados em aparelhos ligados ao empresário investigado. Ainda assim, ele fez críticas ao modelo de colaboração premiada no país, afirmando que o instrumento foi “deturpado” e perdeu credibilidade.

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“As delações, da forma como estão sendo levadas no Brasil, deveriam ser simplesmente deixadas de existir”, afirmou o advogado, acrescentando que delatores “mentem, omitem e protegem”.

Sobre as suspeitas envolvendo o senador, Kakay negou categoricamente a existência de pagamentos irregulares. “Dizer que existe uma mesada para o Ciro Nogueira não é verdade. O senador nunca recebeu absolutamente nenhum dinheiro” do empresário, disse.

O advogado confirmou que há uma relação comercial entre empresas ligadas à família de Ciro Nogueira e o grupo investigado, mas ressaltou que o senador não tem participação na gestão dessas empresas. Segundo ele, a documentação ainda está sendo analisada pela defesa.

Kakay também contestou informações de que o senador teria usufruído de bens de luxo custeados pelo empresário. De acordo com o advogado, a companheira de Ciro Nogueira ocupou temporariamente um imóvel em São Paulo por cerca de três meses, em situação pontual, e não como benefício contínuo.

A defesa ainda argumenta que a proximidade entre políticos e empresários é comum e não configura, por si só, irregularidade. Kakay citou, como exemplo, encontros que teriam reunido autoridades de alto escalão com o mesmo empresário, questionando se esse tipo de relação poderia ser automaticamente interpretado como indício de crime.

“Há uma distância enorme entre relações sociais e a caracterização de uma conduta criminal”, afirmou.

A defesa sustenta que as conclusões apresentadas até agora extrapolam os fatos e afirma que seguirá analisando os elementos da investigação para rebater as acusações.

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