A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou, nesta setxa-feira (08/05) que o caso envolvendo o parlamentar será conduzido de forma “100% técnica” e criticou o que classificou como pré-julgamento em meio às investigações. A declaração foi dada em entrevista exclusiva à TMC.
Segundo o advogado do senador, a atuação profissional não se confunde com posicionamentos políticos e envolve a defesa de clientes de diferentes espectros ideológicos, com base no direito à ampla defesa.
Ele também comentou o impacto de operações policiais e judiciais na percepção pública. Para a defesa, esse tipo de investigação pode fragilizar a confiança nas instituições quando há exposição precoce de suspeitas. “O que não pode haver é pré-julgamento”, afirmou.
Ao mesmo tempo, a defesa avaliou que o debate público sobre investigações é positivo, desde que não leve a conclusões antecipadas. “É importante que as pessoas estejam acompanhando o que está acontecendo no Brasil”, disse.
Durante a entrevista, o advogado saiu em defesa do Supremo Tribunal Federal, afirmando que a Corte tem sido alvo de ataques e desempenhou papel central na manutenção da institucionalidade do país em momentos recentes. Ao comentar o cenário político, ele afirmou que o Judiciário atuou em meio a um “governo executivo fascista por quatro anos” e citou diretamente o ex-presidente.
“Eu escolho para quem eu vou advogar porque sou honrado. Por exemplo, Bolsonaro me procurou para advogar para ele, eu disse que não advogaria. Não quis advogar e não admiti advogar para nenhuma pessoa no 8 de janeiro, porque eu achei que ali era um atentado à democracia”, declarou.
Em outro momento, acrescentou: “Quando você tem um abuso […] na casa de um senador da República, poderoso, que foi chefe da Casa Civil do Bolsonaro, eu sou o maior oposto do governo do Bolsonaro, mas defendo o Ciro com muito prazer”.
Sobre o caso envolvendo Ciro Nogueira, a defesa voltou a criticar a realização de medidas como busca e apreensão antes da conclusão das investigações, classificando a ação como um possível “abuso”, e reforçou que a estratégia será apresentar os argumentos nos autos do processo.
“Eu não discuto defesa técnica na fila do pão, eu vou discutir na tribuna do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
A defesa também disse que seguirá tratando o caso com base nos elementos jurídicos disponíveis.




