O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) lança, nesta quarta-feira (13/05), a pré-campanha para o governo do estado. De volta ao páreo eleitoral, em entrevista exclusiva à TMC, atacou Cláudio Castro, afirmou que o ex-governador era um “zumbi” na própria gestão e prometeu acabar com a divisão de facções nos presídios.
Rival político do grupo de Castro, Garotinho também fez fortes acusações contra o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio Rodrigo Bacellar – hoje preso pela Polícia Federal por suspeitas relações com o Comando Vermelho. Segundo ele, o governo foi entregue à “tropa de Bacellar”: deputados aliados que controlavam secretarias e que tiravam a autonomia de Cláudio Castro na gestão.
“Para tentar governar, ele terceiriza o governo e passa o comando do governo à Assembleia Legislativa. O Bacellar (União Brasil) se apossou do governo: praticamente controlava 80% das secretarias em parceria com outros deputados. Por exemplo, secretaria tal, era do Barcellar e da tropa: Felippe Poubel (PL), Rodrigo Amorim (PL), Alan Lopes (PL) e Alexandre Knoploch (PL). Outra secretaria: Bacellar com o Dr. Deodalto (PL). Outra, Bacellar com o Giovani Ratinho (MDB). A outra, Bacellar com Val do Ceasa (PRD). Então, o governador mais parecia um zumbi. Ele ficava com a parte dele – está muito rico -, mas não tinha controle nenhum sobre a gestão”, afirmou.
Garotinho também adiantou uma promessa de campanha: o fim da divisão das facções nos presídios. O ex-governador afirma que o principal objetivo é não deixar os bandidos confortáveis na prisão e tornar o Rio um local hostil para criminosos de outros estados. O estado vive uma crise da vinda de chefes faccionados, principalmente, do Norte e do Nordeste.
“É muito confortável para o bandido hoje: ele fica junto com os colegas de facção, almoça, janta, tem lanche, café da manhã e ceia; a família recebe o auxílio reclusão. Pelo amor de Deus, né? Na hora que eu adotar essa medida, primeiro, os bandidos vão ter medo de ser presos. Segundo, quem é de fora vai embora do Rio, porque está mole vir para o Rio hoje. Cerca de 20% dos criminosos de alto escalão que estão no estado não são do Rio. São, pela ordem: Amazonas, Pará, Bahia e Ceará”, disse.
Pré- candidato pelo Republicanos, Anthony Garotinho ainda enfrenta uma disputa interna dentro do próprio partido. O ex-prefeito de Miguel Pereira André Português também lançou pré-candidatura e a escolha pelo nome só será definido nas convenções partidárias com prazo para ser realizada entre julho e agosto.
Garotinho voltou ao páreo após o ministro do STF Cristiano Zanin anular a Operação Chequinho, processo eleitoral em que o ex-governador foi condenado por compra de votos em Campos, no Norte Fluminense, nas eleições de 2016. À época, era secretário de Governo na gestão da esposa Rosinha no município.
Governador do Rio entre 1999 e 2002, Garotinho está entre os cinco ex-governadores presos nos últimos 30 anos na política fluminense. Só ele foi detido cinco vezes, entre 2016 e 2019, e respondeu a cinco processos diferentes – todos por acusações de corrupção na prefeitura de Campos, seu reduto eleitoral, e no governo do estado. Entre condenações e anulações, Garotinho hoje responde somente a um processo: uma acusação de caixa 2 em contratos no município campista. O caso corre no Tribunal Regional Eleitoral do Rio.
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Apesar do passado confuso, em 2026, ele traz a bandeira da anti-corrupção para campanha e garante que as cinco prisões anteriores que sofreu foram por perseguição política.
“Todas as denúncias contra mim aconteceram depois que eu denunciei a quadrilha de Sérgio Cabral. Então, foi montada uma força-tarefa contra mim. Nas esferas estaduais e municipais, eles obtiveram êxito, mas quando chega no Supremo Tribunal Federal, acontece como ocorreu agora na Operação Chequinho, foi tudo anulado. Então, eu não tenho nenhuma preocupação”, garantiu.
A reportagem está em contato com os deputados citados por Garotinho e ainda aguarda retorno.




