Em discurso realizado em Catalão (GO) nesta terça-feira (02/06), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro pelas tarifas de 25% que o governo americano propõe aplicar sobre produtos brasileiros. A declaração veio um dia após o Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluir investigação que acusa o Brasil de adotar práticas que prejudicam o comércio americano.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria, foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores“, afirmou o presidente. “O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?”
Segundo Lula, visitas de Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro a integrantes do governo Trump teriam influenciado as sanções. O presidente citou uma publicação feita por um dos filhos de Bolsonaro em 9 de julho de 2025, data em que Trump anunciou sobretarifa adicional de 40% sobre importações brasileiras — que se somava aos 10% já em vigor. Na postagem, segundo Lula, o filho de Bolsonaro escreveu: “Obrigado Trump, faça o brasil livre de novo. Queremos o Magnistky”.
“No dia em que ele (Donald Trump) taxou, os ‘meninos do Bolsonaro’, um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, ele tuitou: ‘Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo’. Queremos o Magnistky’ , a lei que pune os brasileiros, a lei em que eles sequestram o dinheiro dos brasileiros que podem ter qualquer coisa nos Estados Unidos, inclusive o ministro Alexandre de Moraes”, disse Lula.
“Então, o filho dele, que hoje foi para a televisão dizer que não disse nada, eu vou repetir, em 9 de julho de 2025, no dia que ele nos puniu, ele foi dizer obrigado Trump. E o outro filho também foi agradecer ao presidente Trump. Os dois criticando o Brasil e parabenizando o Trump pela taxação”.
Em referência a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu futuro rival na disputa pela Presidência da República nas eleições de outubro, Lula disse que o senador é um “covarde”.
“Pensem, porque esse cidadão hoje aparece na imprensa dizendo: ‘Eu não falei nada. Eu não falei nada’. Todo covarde é assim fala a m**** que fala e depois não tem coragem de assumir o que fala. Fica tentando mentir'”, disse o presidente.
O USTR concluiu a investigação na segunda-feira (1º) e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O documento aponta práticas consideradas restritivas ao comércio americano, entre elas o uso do PIX — sistema de pagamentos instantâneos —, o desmatamento ilegal, a pirataria e deficiências nas leis anticorrupção do país.
O relatório, porém, prevê exceções para produtos considerados estratégicos. Carne, frutas, café, aeronaves e terras raras estão na lista de itens que não seriam atingidos pela sobretaxa.
Tarifas ainda não estão em vigor
A proposta do USTR não entra em vigor de imediato. Pela legislação americana, é necessário concluir a investigação formal e realizar consultas públicas antes de qualquer medida ser aplicada. Ou seja, os 25% ainda dependem de etapas adicionais no processo regulatório dos EUA.
Na prática, isso significa que exportadores brasileiros ainda têm tempo para acompanhar o andamento do processo. Mas o anúncio já gera incerteza para setores que dependem do mercado americano — e coloca o governo Lula diante de uma disputa comercial com Washington que ganhou, nas palavras do próprio presidente, um componente político interno.
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