Lula reúne ministros, Vale e BNDES para discutir estratégia sobre minerais críticos

Encontro ocorre em um momento em que o governo busca consolidar uma política para o setor

Por | Atualizado em:
03.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a abertura da 2º Conferência Nacional do Trabalho, no Teatro Celso Furtado. Na foto (da esquerda para a direita): Vice-Presidente da República e Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e o Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. São Paulo - SP.
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne nesta quinta-feira (10/07), no Palácio do Planalto, ministros, representantes da Vale, do BNDES e especialistas para discutir a estratégia do governo para os minerais críticos e estratégicos, considerados essenciais para a transição energética e para indústrias de alta tecnologia.

O encontro ocorre em um momento em que o governo busca consolidar uma política para o setor e acompanha a tramitação do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, já aprovado pela Câmara dos Deputados e atualmente em análise no Senado.

Siga o canal da TMC no WhatsApp e receba as últimas notícias

Minerais como lítio, níquel, cobalto e terras raras são utilizados na fabricação de baterias para veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas, semicondutores e outros equipamentos ligados à economia de baixo carbono e à indústria de tecnologia.

Entre os principais temas da reunião estão formas de ampliar a agregação de valor à produção mineral no Brasil, incentivar investimentos na cadeia industrial, fortalecer o financiamento de projetos e discutir medidas para tornar mais previsível o licenciamento ambiental de empreendimentos considerados estratégicos.

A expectativa também é de que o governo alinhe sua estratégia para ampliar a participação do país nas cadeias globais de produção desses minerais, reduzindo a exportação de matéria-prima sem processamento e estimulando etapas industriais em território nacional quando houver viabilidade econômica.

O encontro contará com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, de ministros de áreas como Fazenda, Minas e Energia, Desenvolvimento, Planejamento, Meio Ambiente e Relações Exteriores, além do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

A Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, será representada pelo vice-presidente executivo técnico, Rafael Bittar. Também participam pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), que desenvolvem estudos sobre industrialização mineral e competitividade do setor.

O governo considera os minerais críticos um dos pilares da estratégia brasileira para a transição energética, com potencial para atrair investimentos em segmentos como baterias, veículos elétricos, energia renovável e outros setores de alta tecnologia. A reunião também deve servir para alinhar a atuação dos diferentes órgãos federais antes do avanço da proposta no Congresso e da futura regulamentação da política nacional para o setor.

Negociação com os EUA

Os minerais críticos passaram a ocupar posição estratégica nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em meio a discussões sobre tarifas e barreiras comerciais, Washington demonstra interesse em ampliar o acesso a recursos essenciais para setores como tecnologia, defesa, baterias e transição energética, em um movimento ligado à tentativa de reduzir a dependência de cadeias produtivas concentradas na Ásia, especialmente na China.

Esse cenário amplia o poder de negociação do Brasil, que possui reservas relevantes de minerais como lítio, terras raras e nióbio. O governo brasileiro avalia que o interesse internacional por esses recursos pode ser usado para atrair investimentos, ampliar a industrialização no país e buscar melhores condições comerciais para produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos.

Entre as possibilidades em debate está a vinculação de acordos de fornecimento de minerais críticos a compromissos de investimento em processamento e agregação de valor no Brasil. A estratégia seria evitar que o país atue apenas como fornecedor de matéria-prima e ampliar a participação brasileira nas etapas mais lucrativas das cadeias globais de tecnologia e energia limpa.

A disputa geopolítica envolvendo Estados Unidos e China também aumenta a relevância dos recursos brasileiros. Ao mesmo tempo em que Washington busca parceiros considerados confiáveis para garantir o abastecimento de minerais estratégicos, o Brasil tenta preservar sua autonomia comercial e negociar investimentos e acesso a mercados sem restringir suas relações com outros países.

Leia mais: Em audiência nos EUA, Flávio Bolsonaro critica tarifaço e diz que medida beneficia Lula

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05