Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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O real poder do Congresso e o filme de ficção dos interesses

A derrubada de vetos da LDO e o recuo silencioso nas denúncias do Banco Master revelam quem dá as cartas do jogo político

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(Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O eleitorado brasileiro historicamente concentra suas atenções e preocupações nas disputas pelo comando do Poder Executivo. Embora a escolha do presidente da República seja natural e necessária para a definição dos rumos do país, as recentes movimentações no Legislativo reforçam que deputados e senadores detêm o controle prático da engrenagem política nacional.

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Em uma demonstração clara de força, o Congresso Nacional derrubou os vetos presidenciais à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A decisão liberou a possibilidade de a administração pública realizar doações de bens, dinheiro e benefícios em pleno período eleitoral. Além disso, a medida abriu brechas para o pagamento de emendas parlamentares não impositivas durante a campanha de outubro, gerando intensas críticas pela ausência de regras claras sobre as modalidades de repasses permitidas.

Embora a sessão do Congresso tenha sido formalmente convocada para a análise dos vetos orçamentários, os bastidores políticos ganharam um contorno paralelo com o silêncio em torno do caso do Banco Master.

Pelo regimento interno, a presidência do Congresso Nacional deveria realizar a leitura dos requerimentos de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o tema, dando início formal aos trâmites da investigação. Atualmente, existem dois pedidos protocolados, os quais acabaram sendo novamente preteridos na ordem do dia.

O cenário em torno da CPMI do Banco Master assume contornos teatrais. Trata-se de uma narrativa utilizada como bandeira eleitoral para a opinião pública, mas que, nos bastidores, desperta receio generalizado entre as lideranças partidárias. Por se configurar como um escândalo político transversal, com potencial de atingir múltiplos espectros partidários, observa-se a construção de um grande acordo velado para impedir o avanço das investigações.

E por isso, é necessário lembrar: as decisões tomadas no congresso moldam diretamente as regras das eleições de outubro e os mecanismos de controle da máquina pública.

Resta ao cidadão manter o acompanhamento atento dessas movimentações legislativas, compreendendo que o verdadeiro destino das políticas nacionais é selado nas cadeiras do Congresso.

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