O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, atacou o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e se distanciou do escândalo envolvendo o banco Master nesta segunda-feira (01/06). Os dois voltarão a se enfrentar nas urnas em outubro, na disputa pelo Palácio Bandeirantes.
Sobre a gestão de Haddad no Ministério da Fazenda, Tarcísio afirmou que o adversário se tornou, nas suas palavras, o melhor ministro da Fazenda da história do Paraguai, porque todas as empresas do Brasil foram para lá. A frase é uma crítica à carga tributária que, segundo o governador, teria empurrado indústrias brasileiras para o país vizinho.
Tarcísio foi além e listou o que classificou como um fracasso retumbante na condução econômica federal. Segundo ele, o período foi marcado pela maior carga tributária da história do Brasil, por um rastro de empresas endividadas, por inadimplência entre pessoas físicas, por recordes de recuperação judicial e por um aumento de sete pontos percentuais na relação dívida x PIB. Na prática, esses indicadores medem o peso das dívidas públicas em relação ao tamanho da economia — quanto maior o número, mais difícil fica para o governo honrar seus compromissos sem cortar gastos ou elevar impostos.
Negativas sobre o caso Master
Tarcísio também respondeu a perguntas sobre o banco Master e seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro. O governador afirmou que nunca realizou nenhuma reunião com Vorcaro em São Paulo e que o investimento dos fundos de pensão estaduais em CDBs — títulos de dívida emitidos por bancos — do Master foi zero.
A declaração vem em meio a investigações da Polícia Federal (PF) que apontam para um caminho diferente no Rio de Janeiro. Segundo a PF, o Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores fluminenses, aplicou R$ 3,7 bilhões no Master. Mensagens analisadas pelos investigadores mostram encontros entre o ex-governador Cláudio Castro e Vorcaro em eventos de luxo em Nova York, com gastos que chegaram a US$ 1 milhão em uma única ocasião, conforme os autos da investigação.
Sobre a situação em São Paulo, Tarcísio disse estar absolutamente tranquilo e que isso não tem preço. O governador também afirmou que nenhuma secretaria do estado foi indicada pelo Parlamento ou por partido político, apresentando isso como diferencial de sua gestão.
Apoio a Flávio Bolsonaro e outros temas
Tarcísio reafirmou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O governador também concordou com a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Para ele, a medida cria um braço de cooperação para trabalhar melhor a questão do crime organizado.
O encontro com o jornalista Gustavo Zeitel também teve momentos mais leves. Tarcísio cantou um trecho da dupla sertaneja Leandro e Leonardo — pense em mim, chore por mim, liga pra mim, não, não liga pra ele — em referência ao duelo que se aproxima com Haddad. Sobre o adversário, o governador ainda cobrou que ele apresente um projeto para São Paulo antes de disputar o governo do estado.
As declarações foram dadas durante entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan.
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