Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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“Tem que perguntar pra ele” vira o novo “pergunta lá no Posto Ipiranga”

Ao ser questionada sobre o envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, Michelle evitou comentar o caso e respondeu: “Tem que perguntar pra ele”

Por
Flávio e Michelle Bolsonaro
(Foto: Flávio Bolsonaro via Facebook)

Para além da troca do marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro, novas revelações envolvendo negócios milionários ligados à família do senador Ciro Nogueira e ao empresário Ricardo Magro ampliaram a pressão sobre o núcleo bolsonarista. Soma-se a isso a rejeição da proposta de delação de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal, sob a justificativa de falta de informações relevantes.

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Nesse cenário, declarações recentes de Michelle Bolsonaro passaram a repercutir ainda mais. Especialmente em meio aos rumores sobre uma eventual substituição de Flávio por outro nome na disputa presidencial de 2026 – entre eles, o da própria ex-primeira-dama.

Michelle também afirmou recentemente que o ministro Alexandre de Moraes seria um “irmão em Cristo”. A declaração provocou desconforto entre setores do bolsonarismo mais alinhados ao confronto direto com o Supremo Tribunal Federal.

O incômodo dentro do núcleo mais fiel ao ex-presidente, porém, não chega a ser novidade. Michelle nunca integrou plenamente o chamado “clã Bolsonaro” na dimensão política mais tradicional e, há bastante tempo, demonstra buscar uma atuação própria, com autonomia e identidade política distintas das dos filhos de Jair Bolsonaro.

Ainda assim, interlocutores avaliam que existe uma grande distância entre o crescimento político de Michelle e uma eventual substituição de Flávio na disputa presidencial. Na prática, quanto maior a autonomia política da ex-primeira-dama, menores seriam as chances de ela ser escolhida como herdeira direta do espólio político bolsonarista.

Isso porque, segundo aliados, as decisões estratégicas continuam centralizadas em Jair Bolsonaro. A avaliação dentro do grupo é de que o capital eleitoral permanece concentrado na figura do ex-presidente, mais do que no partido ou até mesmo no sobrenome Bolsonaro.

Nesse contexto, Jair Bolsonaro demonstraria preferência por manter um dos filhos ocupando o espaço político mais estratégico. A estratégia também preservaria a possibilidade de um eventual retorno eleitoral em 2030, caso recupere a elegibilidade.

A leitura entre aliados é que um nome com trajetória política própria poderia consolidar autonomia e deixar de funcionar apenas como representante temporário do projeto bolsonarista. Mesmo em caso de derrota, a manutenção de um integrante da família na disputa ajudaria a manter o sobrenome Bolsonaro em evidência nacional.

Outro ponto considerado relevante nos bastidores é que dificilmente alguém de fora do núcleo familiar aceitaria assumir a Presidência da República tendo como prioridade uma estratégia voltada à situação judicial de Jair Bolsonaro.

Diante disso, a avaliação predominante hoje entre aliados é de manutenção da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, com respaldo direto do ex-presidente. Apesar disso, Michelle Bolsonaro segue ampliando sua presença política e consolidando uma imagem cada vez mais independente do ônus eleitoral associado ao sobrenome Bolsonaro.

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