Para além da troca do marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro, novas revelações envolvendo negócios milionários ligados à família do senador Ciro Nogueira e ao empresário Ricardo Magro ampliaram a pressão sobre o núcleo bolsonarista. Soma-se a isso a rejeição da proposta de delação de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal, sob a justificativa de falta de informações relevantes.
Nesse cenário, declarações recentes de Michelle Bolsonaro passaram a repercutir ainda mais. Especialmente em meio aos rumores sobre uma eventual substituição de Flávio por outro nome na disputa presidencial de 2026 – entre eles, o da própria ex-primeira-dama.
Michelle também afirmou recentemente que o ministro Alexandre de Moraes seria um “irmão em Cristo”. A declaração provocou desconforto entre setores do bolsonarismo mais alinhados ao confronto direto com o Supremo Tribunal Federal.
O incômodo dentro do núcleo mais fiel ao ex-presidente, porém, não chega a ser novidade. Michelle nunca integrou plenamente o chamado “clã Bolsonaro” na dimensão política mais tradicional e, há bastante tempo, demonstra buscar uma atuação própria, com autonomia e identidade política distintas das dos filhos de Jair Bolsonaro.
Ainda assim, interlocutores avaliam que existe uma grande distância entre o crescimento político de Michelle e uma eventual substituição de Flávio na disputa presidencial. Na prática, quanto maior a autonomia política da ex-primeira-dama, menores seriam as chances de ela ser escolhida como herdeira direta do espólio político bolsonarista.
Isso porque, segundo aliados, as decisões estratégicas continuam centralizadas em Jair Bolsonaro. A avaliação dentro do grupo é de que o capital eleitoral permanece concentrado na figura do ex-presidente, mais do que no partido ou até mesmo no sobrenome Bolsonaro.
Nesse contexto, Jair Bolsonaro demonstraria preferência por manter um dos filhos ocupando o espaço político mais estratégico. A estratégia também preservaria a possibilidade de um eventual retorno eleitoral em 2030, caso recupere a elegibilidade.
A leitura entre aliados é que um nome com trajetória política própria poderia consolidar autonomia e deixar de funcionar apenas como representante temporário do projeto bolsonarista. Mesmo em caso de derrota, a manutenção de um integrante da família na disputa ajudaria a manter o sobrenome Bolsonaro em evidência nacional.
Outro ponto considerado relevante nos bastidores é que dificilmente alguém de fora do núcleo familiar aceitaria assumir a Presidência da República tendo como prioridade uma estratégia voltada à situação judicial de Jair Bolsonaro.
Diante disso, a avaliação predominante hoje entre aliados é de manutenção da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, com respaldo direto do ex-presidente. Apesar disso, Michelle Bolsonaro segue ampliando sua presença política e consolidando uma imagem cada vez mais independente do ônus eleitoral associado ao sobrenome Bolsonaro.