O chanceler Mauro Vieira afirmou nesta quinta-feira (04/06) que o Brasil entregou ao governo americano todas as informações necessárias para contestar as investigações que podem resultar em novas tarifas. Segundo o ministro das Relações Exteriores, os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para justificar as cobranças não resistem às provas reunidas por Brasília.
Vieira declarou que o país forneceu os dados e aguarda que Washington os leve em conta. Em suas palavras, o Brasil provou que não há razão para ser alvo de tarifas, pois todos os argumentos apresentados foram contestados. O chanceler também disse ter manifestado interesse em manter conversas com os americanos, sobretudo após a divulgação dos laudos das duas investigações sobre a Seção 301, mecanismo da lei comercial americana que permite ao governo dos EUA investigar práticas consideradas injustas por parceiros comerciais.
“Demos todas as informações necessárias. O que nós esperamos é que isso tudo seja levado em conta e que fique comprovado que não há porquê sermos objeto de tarifas, porque todos os argumentos apresentados nós provamos que não são legítimos”
O que os EUA propõem
O governo americano concluiu que 60 economias, incluindo o Brasil, não proibiram nem fiscalizaram adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Com base nessa conclusão, Washington propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.
Outra faixa de sobretaxa, de 10%, foi proposta para países com proibição parcial ou que firmaram compromissos formais de acordos comerciais recíprocos. A União Europeia está entre os alvos dessa segunda categoria.
Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, as exportações brasileiras potencialmente afetadas somam cerca de US$ 15 bilhões. Vale lembrar que, em 2025, os EUA já haviam imposto uma tarifa de 25% sobre produtos do país.
Próximas etapas
As medidas ainda passarão por consulta pública antes de entrar em vigor. O governo americano receberá comentários por escrito até 6 de julho de 2026. No dia seguinte, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) realizará audiências públicas para debater as ações propostas.
Os relatórios finais das investigações foram divulgados antes do prazo que Lula e Trump haviam combinado em reunião realizada em Washington, em maio. Ainda não há data definida para a conclusão das negociações entre os dois países.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou presença na cúpula do G7 em Évian, na França. Uma reunião bilateral com o presidente americano Donald Trump durante o encontro, porém, ainda não está confirmada.




