Um apartamento de R$ 2,4 milhões no bairro Horto Florestal, em Salvador, R$ 3,5 milhões em dinheiro vivo e o uso frequente de jatos particulares. Segundo a Polícia Federal (PF), essas seriam as vantagens que o senador Jaques Wagner teria recebido em troca de atuação política no Congresso Nacional. A investigação integra a Operação Compliance Zero, que cumpriu 18 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (18).
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O alvo central é um esquema de fraudes e corrupção que, conforme a PF, gerou prejuízos estimados em R$ 12 bilhões e tem o Banco Master como peça central.
Vantagens investigadas
De acordo com documentos da PF, Wagner teria recebido o imóvel, unidade 1702 do Poeme Residence, no Horto Florestal, como contrapartida por sua atuação parlamentar. Além do apartamento, a investigação aponta repasses em espécie e mordomias como ingressos para shows e acesso a aeronaves privadas.
A investigação avançou após a análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima, apontado como figura central no esquema. O Banco Pleno, ligado a Lima, foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central do Brasil.
Projetos no Congresso sob suspeita
Segundo a PF, Wagner teria mantido contato direto com Augusto Ferreira Lima sobre temas que beneficiavam o grupo financeiro. Um deles era a elevação da margem consignável, ou seja, o percentual máximo do salário ou benefício que pode ser comprometido com parcelas de empréstimo, para trabalhadores com carteira assinada, aposentados e pensionistas do Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
Essa articulação teria resultado na apresentação da Emenda nº 30 à Medida Provisória nº 1.106/2022, mais tarde convertida na Lei nº 14.431/2022. A norma também autorizou empréstimos para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), auxílio pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, e de outros programas federais.
A PF ainda aponta que Wagner teria atuado pela aprovação da PEC nº 65/2023, proposta que alteraria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege correntistas em caso de falência de bancos. Além disso, o senador teria agido para influenciar a fiscalização da possível compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
A investigação reúne, segundo a PF, mensagens, áudios, ligações telefônicas, contratos, comprovantes de transferências bancárias, registros de empresas, planilhas de pagamentos e dados extraídos de celulares apreendidos em fases anteriores da Operação Compliance Zero.




