Senival Pereira de Moura, vereador pelo PT em seu sexto mandato na Câmara Municipal de São Paulo, foi preso em 25 de junho de 2026 durante a Operação Última Parada. A ação foi conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Senival é apontado como figura central de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Além de vereador, Senival ocupa o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora e preside a Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara. Na prática, a prisão de um parlamentar em exercício com esses cargos afeta diretamente o funcionamento da Casa.
As investigações apontam que a Transunião Transportes S.A. teria sido usada para ocultar patrimônio e movimentar recursos da facção criminosa. Planilhas internas apreendidas mostram que Senival aparecia como cooperado oficial de pelo menos 13 ônibus da frota. Segundo os investigadores, familiares do vereador, entre eles a esposa Maria de Lourdes Andrade de Moura, os filhos Ítalo e Vitor Andrade de Moura e o irmão Rubens Pereira de Moura, estariam envolvidos em movimentações e registros societários suspeitos.
Relatórios de inteligência financeira indicam que Senival movimentou R$ 4,39 milhões entre 2019 e 2022. Segundo investigadores, haveria uma diferença de R$ 2,4 milhões entre esses valores e os rendimentos que ele declarou oficialmente no período.
O assassinato que abriu a investigação
O ponto de partida foi o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião. Ele foi morto a tiros em março de 2020, no estacionamento de uma padaria no Lajeado, na Zona Leste de São Paulo. Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, é apontado pela Polícia Civil como o autor dos disparos.
O MP-SP sustenta que o crime teria sido motivado por uma quebra de confiança financeira. Segundo investigadores, Adauto estaria desviando valores para subsidiar caixa dois na campanha de reeleição de Senival em 2020. A acusação ainda não foi submetida ao contraditório e à ampla defesa.
Conforme o Ministério Público, Senival e Adauto teriam sido condenados à morte em um tribunal do crime do PCC. Leonel Martins, o “Cabeça Branca”, teria sido escalado para resolver a questão por meio de um debate, termo usado pela facção para esse tipo de julgamento interno. Ainda segundo investigadores, Senival teria sido perdoado pela organização em razão de sua influência política e da capacidade de ressarcir o prejuízo.
Investigado desde 2022
Em 2022 que Senival já era investigado por suspeita de envolvimento na morte de Adauto. Na época, dois suspeitos foram presos e 13 ônibus foram apreendidos. Devanil Souza Nascimento, o “Sapo”, motorista de confiança de Senival, é apontado pelas investigações como peça operacional do esquema. O assessor parlamentar Adão Lino dos Santos também aparece nos autos como parte da estrutura.
Mensagens analisadas em celulares apreendidos mostram que Senival era identificado pelos apelidos “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador” nas comunicações do grupo.
Em 2022, ao ser questionado, Senival afirmou ser inocente e disse estar à disposição da Justiça.
Trajetória no transporte
A relação de Senival com o setor de transporte é antiga. Segundo investigadores, ele explorava linhas clandestinas entre Guaianases e Itaim Paulista com veículos Kombi já na década de 1970. No início dos anos 2000, atuou com operadores de transporte alternativo durante a regularização do setor na Zona Leste, período que, conforme a investigação, serviu de base para sua trajetória política na região.




