Cientistas registram pela primeira vez fragmentação de placa tectônica no Canadá

Imagens de alta resolução documentam ruptura da placa Explorer sob oceano Pacífico próximo à ilha de Vancouver em pesquisa publicada na Science Advances

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: Science
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Pesquisadores dos Estados Unidos, Suíça e Canadá capturaram imagens inéditas do interior do fundo do mar que mostram uma placa tectônica se fragmentando sob o oceano Pacífico. O fenômeno foi documentado próximo à ilha de Vancouver, no Canadá. A descoberta detalha a ruptura da placa Explorer, fragmento da crosta oceânica com aproximadamente quatro milhões de anos.

O estudo foi liderado pelo geofísico Brandon Shuck, da Universidade Estadual da Luisiana. A pesquisa contou com participação da Universidade de Columbia, Universidade de Auburn, Universidade do Texas em Austin, Woods Hole Oceanographic Institution, Universidade de Dalhousie, Universidade da Colúmbia Britânica, Universidade de Genebra e Universidade de Washington. Os resultados foram publicados na revista científica Science Advances em 2026.

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As imagens capturadas mostram a placa Explorer em pleno processo de fragmentação. O registro documenta as etapas finais de separação dessa estrutura oceânica. Os dados revelam informações sobre a subducção e a formação da Zona de Falha de Nootka, estrutura tectônica que separa a placa Explorer da placa de Juan de Fuca.

Os pesquisadores identificaram dois grandes rasgos no interior da placa Explorer. Essas rupturas estão localizadas abaixo da fossa oceânica, região onde ocorre o mergulho de uma placa sob outra. Os desgarros estão deslocados cerca de 20 quilômetros entre si. O rompimento mais avançado apresenta um desnível abrupto de mais de três quilômetros em apenas dois quilômetros de extensão horizontal.

A técnica utilizada funciona de forma semelhante a uma ecografia. Ondas sonoras são enviadas ao fundo do oceano. Ao retornarem, permitem mapear as diferentes camadas de rocha. A coleta de dados sísmicos foi realizada durante a expedição CASIE21, conduzida em 2021 a bordo do navio de pesquisa Marcus G. Langseth.

A análise de quatro perfis sísmicos foi combinada com registros de terremotos da região. Os dados permitiram identificar que a Zona de Falha de Nootka constitui uma rede de falhas com cerca de 20 quilômetros de largura. A estrutura se estende desde os sedimentos superficiais até o manto superior.

Os desgarros identificados provavelmente eram parte de uma única estrutura. Essa estrutura foi dividida ao longo do tempo pelo movimento lateral das placas. Na placa de Juan de Fuca, o processo ainda é inicial. Aparece como uma deformação mais gradual.

A fragmentação da placa Explorer resulta da diferença de velocidade entre as placas tectônicas da região. A placa de Juan de Fuca avança a mais de quatro centímetros por ano sob a América do Norte. A Explorer se desloca a cerca de dois centímetros anuais. Essa diferença de velocidade gerou tensões que culminaram na formação da Zona de Falha de Nootka, onde ocorre o deslizamento lateral entre as placas.

A subducção da placa Explorer ocorre de forma mais lenta do que em placas vizinhas. Esse fator tem contribuído para sua fragmentação. A subducção é um processo em que uma placa oceânica mergulha sob outra e afunda em direção ao manto terrestre. O fenômeno é um dos principais motores da dinâmica geológica do planeta.

Outro dado relevante é a ausência de atividade sísmica significativa sob a ilha de Vancouver, na área associada à placa Explorer. Diferentemente da região dominada pela placa de Juan de Fuca, onde há registros frequentes de tremores, esse silêncio sísmico indica que a Explorer está em estágio mais avançado de desacoplamento.

Os autores destacam que novos modelos geodinâmicos serão necessários para confirmar os impactos dessa transformação na dinâmica tectônica da região. Os pesquisadores apontam que, quando esse processo se completar, a zona de subducção de Cascadia poderá ser reduzida em cerca de 75 quilômetros. Isso equivale a um doze avos de sua extensão total.

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