O uso de suplementos como whey protein e creatina em crianças pequenas não é recomendado por especialistas e pode trazer riscos à saúde, especialmente quando não há indicação médica.
Segundo o pediatra e neonatologista Dr. Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Academia Americana de Pediatria, não há recomendação para o uso dessas substâncias em crianças saudáveis.
“A Academia Americana de Pediatria não indica o uso de creatina para crianças, a não ser em casos muito específicos, como doenças neuromusculares. Crianças saudáveis não devem tomar whey nem creatina”, afirma.
Um dos principais pontos de atenção é o impacto nos rins. De acordo com o médico, embora não haja comprovação direta de lesão, existe um risco associado ao excesso.
“Existe um risco teórico de sobrecarga renal. O organismo até consegue lidar com excesso de proteína e creatina, mas isso não significa que a gente deva expor a criança a esse tipo de sobrecarga”, explica.
Além disso, o consumo pode causar efeitos imediatos.
“Pode haver vômito, mal-estar e, no caso da creatina, risco de desidratação, que está relacionado a esses sintomas”, completa.
O especialista também destaca que, do ponto de vista nutricional, os suplementos não são necessários.
“A criança precisa comer comida de verdade. Existem diversas fontes de proteína, como carne, frango e peixe, que são mais adequadas. Não há necessidade de oferecer whey ou creatina.”
Há exceções, mas restritas a condições clínicas específicas.
“A indicação médica existe apenas em casos como doenças neuromusculares ou problemas metabólicos. Fora isso, não há indicação.”
A longo prazo, os impactos podem ir além da saúde física.
“Você não deve sobrecarregar o rim porque isso pode trazer problemas no futuro. Além disso, a criança precisa aprender a se alimentar corretamente. O uso de suplementos pode atrapalhar esse processo e levar a dificuldades alimentares”, alerta.
O alerta é claro: apesar da popularização nas redes sociais, o uso de whey protein e creatina em crianças pequenas não é seguro quando feito sem indicação. A prática pode trazer riscos desnecessários e deve ser evitada por pais e responsavéis.
Leia mais: Uso excessivo de redes sociais pode aumentar desatenção em crianças, diz especialista




