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Lula mira no Congresso, chama emendas de “sequestro” e reacende tensão entre os Poderes

Presidente diz que não há crise com o Legislativo, mas dispara contra emendas impositivas e votações remotas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (04/12) que não há problemas na relação do governo com o Congresso, mas subiu o tom ao criticar duramente as emendas impositivas, classificando como um “grave erro histórico” o fato de o Legislativo controlar metade do Orçamento da União.

Crítica direta às emendas e recado político

Durante discurso no Palácio do Itamaraty, Lula disse que o Congresso “sequestrou 50% do Orçamento” ao tornar as emendas de execução obrigatória. Segundo ele, a única forma de mudar esse cenário será por meio das urnas, trocando quem decide e quem aprova esse modelo.

Apesar da fala de pacificação no início, o bastidor político mostra um clima longe da tranquilidade. A relação entre Planalto, Congresso e Supremo vive um novo impasse após a suspensão da sabatina de Jorge Messias, indicado para uma vaga no STF, ainda sem nova data.

Além disso, a decisão do ministro Gilmar Mendes de impor restrições a denúncias contra integrantes da Corte provocou reação no Legislativo. Parlamentares classificaram a medida como tentativa de “blindagem”, enquanto o magistrado defendeu que se trata de proteção contra interferência política.

Lula também entrou em choque com o Congresso ao criticar a derrubada dos vetos ao projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental. Para ele, os vetos tinham justamente o objetivo de proteger o agronegócio contra futuras barreiras internacionais. O presidente ainda ironizou que, no futuro, os mesmos parlamentares poderão recorrer ao governo pedindo ajuda junto à China e à União Europeia.

Em outro momento do discurso, o petista questionou o voto remoto de ministros, juízes e parlamentares, usando uma comparação direta: disse que não acha sério alguém “votar pelo celular enquanto está viajando ou até dançando uma lambada”. Segundo Lula, isso afasta a população das instituições e enfraquece a democracia.

Fechando o discurso com tom eleitoral, Lula defendeu o fim da escala 6×1 e afirmou que o avanço da tecnologia precisa servir para reduzir a jornada de trabalho, e não apenas aumentar a produtividade.

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