O Departamento de Guerra dos Estados Unidos divulgou um relatório ao Congresso norte-americano indicando que a China pretende desenvolver capacidade militar suficiente para um possível confronto com Taiwan nos próximos anos. O documento, publicado em 23 de dezembro, avalia que Pequim já possui superioridade militar sobre a ilha em operações terrestres, aéreas e navais.
De acordo com o relatório, a China “espera ser capaz de lutar e vencer uma guerra contra Taiwan até o final de 2027“. Esta não é a primeira projeção americana sobre ações militares chinesas contra Taiwan. Em 2022, a Marinha dos EUA havia estimado que Pequim poderia atacar a ilha “antes de 2024”.
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A capacidade naval chinesa foi reforçada em novembro de 2026 com a adição do porta-aviões Fujian à frota do PLA (Exército de Libertação Popular). Este terceiro porta-aviões chinês utiliza tecnologia comparável ao USS Gerald R. Ford americano. Especialistas militares consideram que uma formação com três porta-aviões representa o mínimo necessário para operações navais efetivas em situações de conflito.
O documento reconhece que, apesar da vantagem militar chinesa sobre Taiwan, a presença americana no Pacífico ainda constitui um obstáculo para as ambições de Pequim. Em dezembro de 2025, os EUA aprovaram a venda de armamentos no valor de US$ 11 bilhões para Taiwan, o que provocou reação da China, que realizou exercícios militares durante dois dias ao redor da ilha.
Em novembro, a Casa Branca publicou sua “Estratégia de Segurança Nacional“, na qual expressa oposição a “qualquer mudança no status quo do Estreito de Taiwan”. A administração Trump defende maior pressão sobre os aliados da “1ª cadeia de ilhas” – Japão, Taiwan e Filipinas – para aumentarem seus investimentos em defesa.
Os exercícios militares chineses, concluídos em 30 de dezembro, envolveram centenas de aeronaves e dezenas de embarcações, com ampla divulgação de vídeos pelo PLA. A tensão no Estreito de Taiwan permanece elevada mesmo após o término das operações.
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Em pronunciamento realizado em 31 de dezembro, o presidente chinês Xi Jinping afirmou que “a tendência histórica em direção à reunificação nacional é irrefreável“. Enquanto o relatório americano sugere que a China pretende “forçar a unificação com Taiwan através da força bruta”, o governo chinês mantém oficialmente o discurso de buscar a reunificação por meios pacíficos, enfatizando que “os compatriotas de ambos os lados do Estreito de Taiwan compartilham laços de sangue”.
Programa nuclear chinês desacelera
O relatório americano indica que a China mantém aproximadamente 600 ogivas nucleares, sem crescimento significativo em comparação com os dados de 2024. O Departamento de Guerra mantém a projeção de que Pequim alcançará cerca de 1.000 ogivas nucleares até 2030.
O documento também menciona esforços anticorrupção no PLA, que resultaram no desligamento de dois comandantes da Força de Foguetes da China. Segundo o relatório, “É provável que a China continue a refinar e treinar essa capacidade ao longo do restante da década”.
