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Toffoli abriu mão de relatoria do caso Master no STF mesmo com apoio da maioria de ministros

Ministro aceitou proposta de Flávio Dino em troca da redistribuição do processo que investiga maior quebra bancária da história brasileira

O ministro Dias Toffoli concordou em transferir a relatoria do caso Banco Master para redistribuição no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (12/2), mesmo contando com apoio de 8 dos 10 ministros presentes na sessão reservada. A decisão ocorreu após sugestão do ministro Flávio Dino, que propôs uma nota pública de apoio a Toffoli em troca da redistribuição, segundo informações publicadas pelo Poder360. O ministro André Mendonça assumiu a condução do processo que investiga a maior quebra bancária da história brasileira.

A redistribuição aconteceu depois que a Polícia Federal (PF) apresentou um relatório de 200 páginas ao presidente do STF, Edson Fachin, questionando a imparcialidade de Toffoli. O documento elaborado pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, buscava arguir a suspeição do ministro no processo relacionado ao banco liquidado em novembro de 2025, que deixou um déficit de aproximadamente R$ 50 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

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Entre os dez ministros participantes da sessão, oito manifestaram apoio à permanência de Toffoli: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques e o próprio Toffoli. Apenas Cármen Lúcia e Edson Fachin sinalizavam posição contrária.

Antes da sessão ampliada que começou às 15h, houve uma reunião mais restrita por volta das 13h30 com apenas cinco ministros: o presidente Fachin, o vice Alexandre de Moraes, os dois mais antigos, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia, além de Dias Toffoli.

Na sessão ampliada, Toffoli afirmou que olharia “nos olhos” de Fachin e declarou “não ter nada a temer” sobre negócios próprios ou de sua família. O nome do ministro ganhou evidência no caso por um empreendimento no norte do Paraná, o hotel Resort Tayaya, que teve em 2021 a participação de uma pessoa ligada a Daniel Vorcaro, fundador do Master e investigado por operações consideradas fraudulentas pelo Banco Central. Em fevereiro de 2025, essa pessoa deixou a sociedade no empreendimento.

Alexandre de Moraes criticou duramente a atuação da PF, classificando a investigação sobre Toffoli como ilegal. Gilmar Mendes afirmou durante a sessão: “Eu acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo do seu tempo nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar”.

Luiz Fux foi direto em sua manifestação: “O ministro Toffoli para mim tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou. Eu não sei o que vocês estão discutindo”. Nunes Marques considerou “incabível” realizar uma sessão extraordinária para analisar a arguição de suspeição. “Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil”, declarou.

André Mendonça contestou a alegação de “relação íntima” entre Toffoli e Vorcaro: “Isso não existe. Está aqui claro que não existe: relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa?” Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública. Então, isso está descartado”.

Cármen Lúcia demonstrou preocupação com a imagem do Supremo, afirmando: “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo”. Ela defendeu uma sessão extraordinária na sexta-feira “para isso não ficar sangrando, porque não é só você [Toffoli] que sangra, é Corte inteira”.

Leia Mais: Com saída de Toffoli do caso Master, STF tem chances de recuperar credibilidade

Cristiano Zanin fez uma exposição técnica: “Sou há 1 ano e meio relator de um caso que envolve 3 ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares…? Isso aqui tudo é nulo“. Ao mencionar a empresa Black Wall Global no relatório, Alexandre de Moraes interveio: “Eu conheço. Isso aí é o pessoal do Mossad”.

Flávio Dino, amigo pessoal de Toffoli há mais de duas décadas, classificou o relatório da PF como “um nada jurídico” e propôs que os dez ministros assinassem uma nota apoiando Toffoli. Em contrapartida, o ministro encaminharia o caso para redistribuição. Toffoli aceitou a proposta, embora preferisse uma solução diferente.

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