As contas do setor público consolidado apresentaram um superávit primário de R$ 103,7 bilhões em janeiro, conforme dados divulgados pelo BC nesta sexta-feira (27/02). Esse resultado ocorre quando as receitas com impostos superam as despesas do governo, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma ligeira queda no desempenho fiscal, visto que o saldo positivo em janeiro de 2025 foi de R$ 104,1 bilhões. De acordo com o BC, o superávit elevado é comum no início de cada exercício devido à concentração da arrecadação federal no primeiro mês.
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O resultado mensal foi composto por um saldo negativo de R$ 87,3 bilhões no governo federal, enquanto os estados e municípios apresentaram superávit de R$ 21,3 bilhões. Já as empresas estatais registraram um déficit de R$ 4,9 bilhões no balanço consolidado de janeiro.
As empresas estatais federais apresentaram um rombo de R$ 3,33 bilhões, marcando o pior resultado nominal da série histórica do Banco Central iniciada em 2001. Na proporção do PIB, o déficit das estatais atingiu 0,33%, o nível mais alto para o indicador desde maio de 2009.
Esse desempenho negativo das empresas públicas ocorre em um momento de forte crise contábil nos Correios, que teve seu limite para novos empréstimos ampliado pelo governo em R$ 8 bilhões. O cálculo do BC para as estatais exclui a Petrobras e a Eletrobras, além de instituições do setor financeiro.
A dívida do setor público consolidado manteve-se estável em 78,7% do PIB, o equivalente a R$ 10,1 trilhões. Sob o governo do presidente LULA, o endividamento brasileiro avançou 7,1 pontos percentuais em pouco mais de três anos, crescimento que está atrelado ao aumento dos gastos públicos.
De acordo com o conceito internacional do FMI, o endividamento brasileiro atingiu 92,7% do PIB em janeiro. Esse patamar coloca a dívida nacional acima da média de países emergentes, de vizinhos da América do Sul e de nações da Zona do Euro.
Ao incorporar os juros da dívida, o resultado nominal registrou superávit de R$ 40,1 bilhões no mês.Entretanto, no acumulado de 12 meses até janeiro, o país apresenta um déficit nominal de R$ 1,09 trilhão, o que representa 8,5% do PIB.
O custo dos juros nominais somou R$ 1,03 trilhão em 12 meses, sofrendo impacto direto da taxa SELIC fixada em 15% ao ano. Esse cenário é acompanhado com atenção por agências de classificação de risco para definir a nota de crédito do país perante investidores.
