O Itamaraty monitora os desdobramentos da crise no Irã após operações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel. A transição de poder no país do Oriente Médio pode gerar consequências globais mais amplas que outros conflitos em andamento. A situação mantém indefinido o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump.
As operações norte-americanas e israelenses provocaram a morte do aiatolá Ali Khamenei no fim de semana. No tom de repreensão a ações armadas, o Itamaraty condenou as incursões no Irã, que já deixaram mais de 160 estudantes mortos, mas, por ora, pelo menos, não pretende encampar qualquer ato contra o governo norte-americano.
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O Irã retaliou instalações militares dos Estados Unidos no sábado. As bases atingidas ficam no Catar, no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos, no Bahrein, na Jordânia e no norte do Iraque. Trump não descarta incursões terrestres caso a resistência iraniana continue.
Encontro entre presidentes sem previsão
O possível encontro entre Trump e Lula na Casa Branca nunca teve data oficial. A reunião era especulada para março. A expectativa era debater suspensão total das taxações extra, especialmente após decisão de ilegalidade pela Suprema Corte norte-americana.
Para diplomatas brasileiros, o Brasil não está entre as prioridades de Trump. O presidente norte-americano tem se voltado mais às questões internas de imigração, onde enfrentou protestos no início do ano, e aos conflitos bélicos. O governo brasileiro acompanha a situação “com atenção”.
Preocupação com desdobramentos
O Irã é o segundo país mais populoso do Oriente Médio. O país possui arsenal atômico. Diplomatas estrangeiros avaliam que a nação apresenta questões além do conflito imediato e tem maior potencial de contingência. O Itamaraty não compartilha da expectativa do presidente norte-americano de que o conflito será breve. A avaliação brasileira é que a transição de poder no Irã “não será nada fácil”.
Trump justificou as operações militares em coletiva de imprensa. “Avisamos para não tentarem reconstruir as instalações em uma nova localização, mas eles ignoraram as ordens e continuaram a fazer as armas nucleares”, afirmou o presidente norte-americano.
Reflexos na economia
A extensão da disputa pode causar recessão global. O conflito tem impacto na inflação internacional e brasileira. Existe expectativa de que o Brasil venda mais petróleo em um primeiro momento.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, já reconhece que a evolução das ofensivas pode afetar as reduções da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano. “O que pode acontecer lá na frente é o momento de parada dos cortes acontecer antes se o repasse a preços ficar mais intenso”, disse Ceron em evento.
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