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Justiça nega habeas corpus a três acusados de estupro coletivo contra adolescente no Rio

Desembargador indeferiu pedidos de suspensão de prisão nesta terça-feira (03/03); quatro homens maiores de idade são procurados por crime ocorrido em 31 de janeiro

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou pedidos de habeas corpus de três acusados de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos. A decisão foi proferida nesta terça-feira (03/03) pelo desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal. Quatro homens maiores de idade são procurados pela Justiça pelo crime que teria acontecido em 31 de janeiro de 2026.

A TV Globo apurou que três dos quatro acusados maiores de idade entraram com recurso para suspender a prisão. O desembargador indeferiu os pedidos. O processo tramita em segredo de Justiça.

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Acusados são procurados pela polícia

A Justiça expediu mandados de prisão contra Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos, Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, e Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos. Todos foram indiciados por estupro com concurso de pessoas.

Vitor Hugo Oliveira Simonin é filho de José Carlos Costa Simonin, subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa. O órgão está vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.

Um adolescente que convidou a vítima também é investigado por ato infracional análogo ao crime. O procedimento dele foi desmembrado para a Vara da Infância e Juventude. A identidade não será divulgada por se tratar de menor de idade.

Crime teria ocorrido em apartamento de Copacabana

O crime teria acontecido em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A vítima foi convidada pelo adolescente, ex-namorado dela, para ir ao local na noite de 31 de janeiro, conforme o inquérito da 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana).

O rapaz teria pedido que a jovem levasse uma amiga. Como ela não conseguiu, a adolescente foi sozinha. No elevador, o rapaz avisou que mais amigos estavam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”. A vítima recusou a proposta, segundo o inquérito.

No apartamento, ela foi levada para um quarto. Enquanto mantinha relação sexual com o ex-namorado, outros quatro rapazes entraram no cômodo.

Vítima relatou violência física e sexual

A adolescente relatou que, após insistência do menor, concordou apenas que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem. Os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos, segundo o depoimento.

Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal. A vítima tentou sair do quarto, mas foi impedida.

O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física. A perícia identificou infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal. Grupos de manchas nas regiões dorsal e glúteas também foram descritos. Materiais foram coletados para exames genéticos e análise de DNA.

Câmeras registraram entrada e saída do prédio

Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento. As imagens também mostram a entrada da adolescente acompanhada pelo menor e o momento em que a vítima deixa o imóvel.

Conforme o relatório policial, após acompanhá-la até a saída do prédio, o adolescente retorna ao apartamento e faz gestos interpretados pelos investigadores como de “comemoração”. Há ainda registros da saída dos investigados do edifício em horários próximos ao crime.

Conversas por WhatsApp entre a adolescente e o menor, antes do crime, foram incluídas no inquérito. Nas mensagens, ele a convida para ir ao endereço e pergunta se ela poderia chamar uma amiga. A jovem responde que não teria quem convidar. Ele afirma que não haveria problema em ir sozinha. As mensagens também mostram a combinação do encontro na portaria e os horários em que ela avisou que estava chegando.

Secretária manifesta solidariedade à vítima

A secretária Rosangela Gomes emitiu uma nota nas redes sociais na segunda-feira (02/03): “Tomei conhecimento das graves denúncias envolvendo o filho do subsecretário Simonin. Recebo essas informações com profunda indignação e tristeza. Minha trajetória de vida e minha gestão são pautadas, acima de tudo, pela defesa intransigente dos direitos das mulheres e pelo combate a todo tipo de violência. Jamais compactuaria com qualquer ato que fira a dignidade feminina ou a integridade de nossas jovens. Através do Governo do Estado do RJ, a Secretaria da Mulher já está prestando todo apoio jurídico e psicológico à adolescente e sua família. Deixo aqui minha total solidariedade a esta jovem de 17 anos e à sua família.”

A Secretaria da Mulher já está prestando apoio jurídico e psicológico à adolescente e sua família. O site g1 questionou o governo do estado sobre o episódio e aguarda resposta.

Defesa nega acusação de estupro

A defesa de João Gabriel Bertho divulgou nota: “A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo, mensagens de texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu.

A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação.”

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