A Polícia Federal prendeu novamente o banqueiro Daniel Vorcaro nesta quarta-feira (4/03) por identificar indícios de que o empresário ordenou invasões aos sistemas de informática do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e até de entidades internacionais, como a Interpol e o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos.
O empresário queria obter documentos sigilosos de investigações contra ele. Os elementos que fundamentaram a prisão foram localizados em conversas armazenadas no aparelho celular do banqueiro. O dispositivo havia sido apreendido em novembro durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
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A autoridade policial identificou que o investigado teria conseguido acesso não autorizado aos sistemas da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
“De acordo com a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol”., afirmou o ministro Mendonça em sua decisão.
Monitoramento e ameaças
A terceira fase da Operação Compliance Zero investiga, entre outros delitos, o crime de invasão de dispositivos informáticos. A PF reuniu elementos que indicam a participação de Vorcaro na coordenação dessas atividades ilícitas.
A Polícia Federal coletou indícios de que o banqueiro ordenou o “monitoramento” de adversários. Para executar essas ações, teria utilizado um policial aposentado e outro aliado. Ambos se tornaram alvos de prisão na operação.
As conversas encontradas no celular apontaram que Vorcaro encomendava retaliações contra adversários. Entre os alvos estavam jornalistas que divulgavam informações desfavoráveis ao banqueiro.
Na decisão, André Mendonça não revela o nome do jornalista. Em mensagem atribuída a Vorcaro, o banqueiro teria escrito: “Esse xxxx quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.
Os diálogos mencionavam a realização de ações violentas. Isso levou ao enquadramento na suspeita do crime de ameaça.
Depoimento ao STF
Em 30 de dezembro de 2025, o banqueiro prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal. Vorcaro foi questionado pela Polícia Federal sobre ter obtido acesso a investigações sigilosas. O banqueiro respondeu negativamente à pergunta.
Os investigadores consideram que Vorcaro mentiu sobre o assunto. Documentos sigilosos foram encontrados em seu celular.
A Polícia Federal argumentou ao Supremo que manter Vorcaro em liberdade poderia representar riscos para as investigações em curso. A justificativa é que ele teria capacidade de invadir dispositivos de informática e obter acesso a informações sigilosas.
Leia mais: PF prende banqueiro Daniel Vorcaro em nova fase da Operação Compliance Zero
Defesa de Vorcaro nega acusações
Sérgio Leonardo, Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, advogados de Daniel Vorcaro, emitiram nota nesta manhã para negar as acusações imputadas contra o banqueiro.
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”, afirmaram.
“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”, complementaram Sérgio Leonardo, Pierpaolo Bottini e Roberto Podval.
