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Violência contra mulheres em 2026 resgata essência do 8 de Março

Rastro de crimes brutais pelo Brasil no primeiro trimestre de 2026 devolve ao Dia da Mulher sua essência de luta e resistência

Por Redação TMC | Atualizado em
Dia da Mulher 2026
Câmera Fotográfica (Foto: pvproductions via Freepik)

O Dia Internacional da Mulher está longe de ser uma data festiva neste domingo (08/03). Historicamente enraizado nas lutas operárias e no grito por direitos básicos no início do século 20, o 8 de Março nasceu da luta e da mobilização de mulheres. Mais de cem anos depois, o cenário brasileiro neste primeiro trimestre de 2026 nos força a encarar a realidade: o objetivo principal da data ainda é a sobrevivência.

Depois que o Brasil bateu recorde de feminicídios em 2025, entre janeiro e março de 2026 o cenário se repete. O país seguiu em uma escalada de barbárie com feminicídios e atos violentos contra as mulheres. Não são apenas números, são vidas interrompidas por um sistema que ainda enxerga o corpo feminino como território de posse e vingança.

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O sangue no cotidiano: do asfalto ao local de trabalho

A violência em 2026 não deu trégua nem no espaço público, nem no privado. O caso de Tainara Souza Santos tornou-se o símbolo da crueldade: ela foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, em São Paulo, pelo ex-companheiro. Embora o ataque tenha ocorrido no fim de 2025, a inauguração de um memorial de 140 metros no local, em 1º de março, reacendeu a indignação nacional.

O horror, porém, ganhou um contorno ainda mais trágico: Priscila Alves Versão, de 22 anos, amiga próxima de Tainara e que esteve à frente dos pedidos de justiça pela amiga, também foi vítima de feminicídio em fevereiro. Priscila foi espancada e morta pelo namorado na zona norte de São Paulo, evidenciando que nem mesmo a rede de apoio e a militância garantem a vida em um cenário de insegurança sistêmica.

Leia mais: 21% das vítimas de feminicídio em SP tinham medida protetiva ativa no momento do crime

Neste primeiro semestre de 2026, a insegurança também estendeu-se até ao ambiente de trabalho. Em 25 de fevereiro, a jovem Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, foi assassinada dentro da joalheria onde trabalhava, no Shopping Golden Square, em São Bernardo do Campo (SP). O ex-namorado a esfaqueou diante de clientes e colegas, ignorando as medidas protetivas que ela já possuía e expondo a falha do estado em monitorar agressores reincidentes.

A vingança através do afeto e a vulnerabilidade extrema

O horror deste trimestre também foi representado pela violência vicária, quando o agressor atinge a mulher através de seus filhos. Em janeiro, em Manaus, um pai assassinou o filho de 4 anos para “punir” a mãe. Em fevereiro, em Itumbiara (GO), outro pai matou os dois filhos antes de se suicidar, usando as crianças como ferramentas de vingança contra a ex-parceira por não aceitar o fim do relacionamento.

Somando-se à violência física, a violência institucional também gerou comoção nacional. No início de março de 2026, a justiça brasileira foi centro de debates após o caso de uma menina de 12 anos vítima de estupro. Inicialmente, o juiz responsável havia decidido pela absolvição do agressor, mas, diante da pressão social e da repercussão massiva do caso, recuou e decidiu pela condenação no dia 3 de março. O episódio reforçou a crítica das mulheres ao sistema judicial, que muitas vezes desampara vítimas vulneráveis e exige mobilização pública para que a lei seja cumprida.

A vulnerabilidade também não encontrou refúgio nem na idade ou na fé. No dia 21 de fevereiro a freira Nadia Gavanski, de 82 anos, foi estuprada e morta dentro de um convento em Ivaí (PR). Já no Rio de Janeiro, o caso do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em um apartamento em Copacabana, ocorrido na virada de janeiro para fevereiro, culminou com a prisão de quatro homens e a internação de um adolescente, expondo como a cultura da violação permanece arraigada e protegida por privilégios sociais.

Este início de 2026 deixa claro: enquanto uma mulher for arrastada, violada ou morta em seu local de trabalho, o 8 de Março continuará sendo uma trincheira de resistência, e não uma vitrine de homenagens vazias.

Atos de 8 de Março pelo Brasil

  • São Paulo (SP): Concentração no Vão Livre do MASP (Avenida Paulista), às 14h. Ato em memória de Tainara, Priscila e Cibelle.
  • Rio de Janeiro (RJ): Marcha 8M em Copacabana, Posto 3, às 10h, contra a cultura do estupro e a impunidade.
  • Brasília (DF): Concentração no Eixo Cultural Ibero-Americano às 13h, marchando contra a violência vicária e pelo fortalecimento da Lei Maria da Penha.
  • Curitiba (PR): Ato na Praça Santos Andrade, às 15h, em justiça pela irmã Nadia e pelo fim do gerontocídio.
  • Recife (PE): Concentração no Parque 13 de Maio, às 15h, exigindo políticas públicas efetivas contra o feminicídio.
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