A revelação de mensagens trocadas entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, intensificou a pressão de parlamentares e lideranças da oposição contra o magistrado. As conversas vieram à tona após a divulgação de material apreendido pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro.
Segundo reportagem do jornal O Globo, Vorcaro enviou uma mensagem a Moraes no dia 17/11/2025, data em que foi preso pela PF no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Na mensagem, o empresário questiona: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
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O conteúdo foi identificado durante a perícia feita no celular do banqueiro. De acordo com a investigação, o ministro respondeu com mensagens de visualização única, que desaparecem após serem lidas.
As informações indicam ainda que houve uma sequência de contatos ao longo daquele dia, com mensagens enviadas entre a manhã e a noite, poucas horas antes da prisão de Vorcaro. Parte das respostas atribuídas ao ministro não pôde ser recuperada porque o formato utilizado fazia com que o conteúdo se apagasse automaticamente.
Em nota, a assessoria do Supremo afirmou que “o ministro não recebeu essas mensagens referidas na matéria” e classificou a informação como “ilação mentirosa no sentido de atacar o Supremo Tribunal Federal”.
Investigação e contexto
Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal quando se preparava para embarcar para o exterior. À época, investigadores suspeitavam que ele tentava deixar o país para evitar a prisão.
No dia seguinte à detenção, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e colocou parte do conglomerado sob regime de administração especial temporária.
As mensagens encontradas no celular também são analisadas pela CPI mista do INSS, que investiga possíveis irregularidades envolvendo o banco e relações do empresário com autoridades.
O material indica que Vorcaro mantinha contatos frequentes com políticos e integrantes de diferentes Poderes, além de mencionar encontros com autoridades e negociações envolvendo o sistema financeiro. A defesa do empresário não quis se pronunciar.
Reações da oposição
A divulgação das mensagens provocou forte reação de políticos de oposição nas redes sociais. Parlamentares e lideranças cobraram explicações sobre o conteúdo das conversas e sobre a relação entre o ministro do STF e o banqueiro.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que o caso representa um novo escândalo e defendeu que Moraes não permaneça no Supremo. “Chegou a hora do Brasil se unir. Escândalo para todo lado. Moraes não pode permanecer no STF.” Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), questionou “o que o Senado está esperando para afastá-lo do cargo”.
Outros parlamentares também se manifestaram. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) afirmou ter apresentado requerimento para que Moraes seja convocado a prestar esclarecimentos na CPMI do INSS, enquanto o ex-procurador Deltan Dallagnol questionou o uso de mensagens que desaparecem após a leitura.
Até o momento, não há anúncio de investigação formal sobre Moraes em relação às mensagens reveladas.
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