Existe um termo que foi dito pelo ex-primeiro ministro britânico, Winston Churchill, depois da Segunda Guerra Mundial, quando ele fez um discurso e falou que a relação entre Estados Unidos e Reino Unido, aliados, era uma relação especial, uma “special relationship”.
Esse termo sobreviveu durante todos esses anos e é muito usado para descrever o relacionamento entre Trump e o governo britânico. A imprensa britânica usa muito, até de forma um pouco irônica, para tratar dessa relação, principalmente em momentos de incertezas globais.
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E agora está acontecendo a mesma coisa, porque a tal “relação especial” está abalada, já que Trump está irritado com o fato de o primeiro-ministro britânico, Kir Starmer, não ter ajudado os Estados Unidos na guerra do Irã da forma como Trump gostaria. O premiê não deixou que os Estados Unidos usassem bases militares britânicas no Oriente Médio, nos ataques iniciais. Então agora Starmer estaria tentando reparar essas relações.
Neste domingo (08/03) ele falou por telefone com Trump pela primeira vez em oito dias. Trump chamou a resposta britânica à guerra de “muito decepcionante” e disse que não precisa do apoio do Reino Unido depois que o conflito “está ganho”. E, inclusive, no início da semana, Trump tinha dito que Starmer não era “nenhum Winston Churchill”, dando até uma ironizada no premiê britânico.
Só que a gente tem que lembrar que o governo britânico e Starmer investiram muitos esforços para construir essa relação com Trump. Trump foi a Londres para uma visita de estado alguns meses atrás, em setembro de 2025. Foi recebido com honrarias em Windor pela Família Real, pelo rei Charles III, pelo príncipe William, por Kate, com toda a pompa e circunstância da qual os britânicos gostam.
Starmer sabe que essa relação está fraturada, mas também que a população no Reino Unido não quer lidar com os efeitos da guerra no dia a dia. Inclusive, houve uma pesquisa recente do principal instituto de pesquisa britânico em que 70% dos entrevistados se disseram completamente contra o Reino Unido se unir aos Estados Unidos nos ataques.
Starmer, obviamente também está enfrentando críticas de todos os lados. Especialistas dizendo “como assim? Ele disse que só mudou de ideia e decidiu deixar que os Estados Unidos usassem as suas bases militares depois que viu que isso iria contra os interesses britânicos, que afetaria aliados britânicos no Oriente Médio. Isso mostra falta de preparação. Onde está o setor de inteligência militar do Reino Unido?”
Ele também tem seu principal rival político, Nidel Farage, que é o líder do Reform UK, partido de ultradireita, que hoje lidera as pesquisas de voto no Reino Unido, pertinho de Trump. Faraj e Trump jantaram juntos sábado (07/03) à noite. E até Tony Blair criticou Starmer dizendo que o Reino Unido deveria ter apoiado os Estados Unidos desde o início. Lembrando que no primeiro discurso que Stormer fez, depois dos ataques iniciais ao Irã, ele disse: “Precisamos evitar os erros cometidos no Iraque”, se referindo a um apoio total e restrito aos Estados Unidos na guerra do Iraque, quando Blair era o primeiro ministro.
Quem então pode salvar essa relação especial entre Reino Unido e Estados Unidos? Possivelmente a Família Real porque eles são considerados a “arma secreta” do governo britânico para amansar relações diplomáticas com outros países.
Trump é muito fã da Família Real, admirava muito a rainha Elizabeth II. adora o rei, ficou lisonjeado por ter sido tratado com todas as honrarias quando foi ao Reino Unido. E existe uma visita programada do rei e da rainha Camila para Washington em abril. O príncipe William, herdeiro do trono, deve ir aos Estados Unidos durante a Copa do Mundo, em junho, porque ele é um dos presidentes da Federação de Futebol da Inglaterra.
Existem pedidos de deputados da oposição no parlamento para que o rei cancele essa visita. Mas é claro que isso não vai acontecer. Essas visitas oficiais feitas pela família real acontecem a pedido do governo britânico e não é de interesse de ninguém nesse momento piorar ainda mais essas relações, pelo contrário.