A camiseta usada por Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, ao se apresentar à polícia no Rio de Janeiro gerou forte repercussão e passou a ser associada por especialistas e internautas a símbolos e discursos presentes em comunidades masculinistas na internet.
O jovem é acusado de participar de um estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em Copacabana. Na última quarta-feira (04/03), ele compareceu à 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana) acompanhado do advogado usando uma camiseta com a frase em inglês “Regret Nothing”, que significa “Não se arrependa de nada”.
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A imagem do suspeito com a mensagem estampada rapidamente circulou nas redes sociais e levantou debate sobre o possível significado simbólico da frase.
A expressão “Regret Nothing” aparece com frequência em fóruns e comunidades digitais ligadas ao chamado movimento masculinista — um conjunto de grupos que se organizam na internet em defesa de visões consideradas antifeministas ou que questionam pautas de igualdade de gênero.
O movimento masculinista, também chamado de masculismo, reúne correntes que afirmam defender os direitos e interesses dos homens e frequentemente se apresentam como contraponto ao feminismo.
Parte dessas comunidades está inserida na chamada “machosfera”, um ecossistema de fóruns e perfis na internet — como grupos ligados às red pills e ao MGTOW (Men Going Their Own Way) — que difundem discursos antifeministas e, em alguns casos, misóginos, além de narrativas sobre a perda de um suposto domínio masculino na sociedade. Nesses ambientes, frases que expressam desafio ou ausência de arrependimento diante de críticas sociais costumam ser usadas como forma de afirmação dentro dessas comunidades.
Por isso, a escolha da camiseta foi interpretada por parte do público como uma provocação simbólica, principalmente pelo fato de o jovem estar se apresentando à polícia para responder a acusações graves.

O advogado Ângelo Máximo, que acompanhou Simonin à delegacia, afirmou anteriormente que o cliente se apresentou de “cabeça erguida” e que pretende provar inocência.
“Ele não tem o que temer e vai provar sua inocência”, declarou o defensor.
Segundo a investigação, a adolescente afirma que foi levada ao apartamento de Simonin, em Copacabana, pelo ex-namorado, que é menor de idade. Outros três jovens também estavam no local.
Os suspeitos maiores de idade respondem por estupro coletivo e cárcere privado, enquanto o menor responde por atos análogos aos crimes.
Simonin nega ter participado da violência. A defesa admite apenas que ele estava no apartamento, mas afirma que não houve relação sexual com a vítima.
O caso também teve desdobramentos fora da esfera criminal. Simonin é estudante do Colégio Pedro II, uma das instituições de ensino mais tradicionais do Rio de Janeiro, que abriu processo administrativo para desligá-lo.
O pai do jovem, José Carlos Costa Simonin, que ocupava o cargo de subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, foi exonerado do governo horas antes de o filho se apresentar à polícia.
Nesta segunda-feira (09/03), também foi divulgada a denúncia de uma mulher que afirma ter sido ameaçada por Simonin após comentar o caso nas redes sociais. A situação ainda será analisada pelas autoridades.
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