A guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã tem repercussões na economia, como no preço do petróleo, mas ela também tem repercussões políticas e diplomáticas para o Brasil. E aí vamos fazer uma linha do tempo do que aconteceu no dia 28 de fevereiro: os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Quase que imediatamente o governo brasileiro soltou uma nota dizendo que condenava os ataques. Mas o que é que aconteceu algumas horas depois? O Irã respondeu. Respondeu atacando quem? Atacando as bases americanas, mas também os territórios dos países do Golfo: Qatar, Emirados Árabes, Kuwait, Iraque, mas também Arábia Saudita e Omã. Nós vimos o que nós estamos vendo até agora.
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O governo brasileiro então foi e publicou uma segunda nota dizendo que estava preocupado, mas não foi tão enfático como foi na primeira nota. E aí o que aconteceu é que os governos do Golfo, justamente os embaixadores do Qatar, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Bahrein em Brasília passaram a fazer pressão, uma espécie de lobby no governo brasileiro, mas também nas autoridades brasileiras, para que o Brasil tome uma posição mais dura em relação aos ataques que o Irã está fazendo a esses países.
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Nós apuramos que na semana passada, no dia 4, na verdade, aconteceu uma reunião desses embaixadores com o senador Nelsinho Trad, que na verdade é o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, justamente para passar essa mensagem de que esperavam que o Brasil tivesse uma postura mais firme em relação ao que o Irã está fazendo na região.
Claro, isso coloca o governo brasileiro em uma situação complicada. O Brasil faz parte dos BRICs, assim como o Irã faz parte do BRICs. E aí, claro, nós temos toda uma outra consideração que vai muito além apenas dos fatos e dos cálculos imediatos. O fato é que nós estamos com esses países do Golfo fazendo pressão ao governo brasileiro para que ele adote uma postura mais firme em relação ao Irã.