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Filósofo e autor de renome, Pondé provoca reflexões profundas sobre o comportamento humano, ética e sociedade. Em sua coluna "Sem Dó", ele disseca as contradições do mundo contemporâneo com sua ironia característica.

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Messias como bode expiatório expõe a lógica crua do jogo político brasileiro

Rejeição inédita ao STF revela articulações de poder, fragilidade de critérios técnicos e um ambiente político cada vez mais tenso e imprevisível

Por Luiz Felipe Pondé | Atualizado em
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza reunião para sabatinar indicados ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), Defensoria Pública da União (DPU), e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mesa: indicado para exercer o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (MSF 7/2026), Jorge Rodrigo Araújo Messias. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal não me parece, em essência, um julgamento técnico. O que vimos foi a exposição crua do jogo político brasileiro, em que nomes são menos importantes do que os recados que se pretende dar.

Lamento pela pessoa de Messias, que claramente se preparou e se empenhou, mas acabou ocupando o papel clássico de bode expiatório em uma engrenagem que opera muito além de currículos ou mérito jurídico.

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Há um certo cinismo em fingir surpresa. Durante décadas, indicações ao Supremo passaram com base em acordos, alinhamentos e conveniências. Não por acaso, nomes igualmente alinhados a governos anteriores foram aprovados sem maiores resistências. A diferença, agora, é o momento político.

A recusa não diz tanto sobre Messias, mas sobre a necessidade de setores do Senado sinalizarem força, pressionarem o governo e, de quebra, enviarem um aviso ao próprio Judiciário. É menos sobre quem entra e mais sobre quem manda.

Esse episódio também revela algo mais incômodo: a política brasileira parece cada vez menos preocupada em manter sequer a aparência de critérios. Lembro da velha máxima de que a mulher de César não basta ser honesta, precisa parecer honesta. Hoje, nem isso.

A sensação é de que as instituições operam sob uma lógica em que o jogo é explícito, quase desavergonhado, como se não houvesse mais necessidade de disfarce.

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Se alguém olhar para trás, daqui a algumas décadas, talvez veja esse momento com estranhamento ou até ironia. Um país em que decisões centrais eram tomadas com base em cálculos de poder tão evidentes, enquanto o discurso público ainda tentava sustentar alguma ideia de técnica ou justiça.

O problema é que, antes de virar anedota histórica, isso cobra um preço alto no presente. A política fica mais áspera, mais imprevisível e, inevitavelmente, mais violenta.

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