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Ibaneis vendeu R$ 10 mi em honorários para fundo da Reag em 2023, diz jornal

Banca transferiu direitos de 405 processos judiciais quando governador já ocupava cargo no DF, segundo documentação da cessão de créditos

Por Redação TMC | Atualizado em
Governador Ibaneis Rocha veste terno e gravata
Câmera Fotográfica (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O escritório Ibaneis Advogados Associados transferiu honorários advocatícios de 405 processos judiciais para o Fundo Laguz I, administrado pela Reag Investimentos, em 12 de setembro de 2023. A operação foi formalizada quando Ibaneis Rocha (MDB) já ocupava o cargo de governador do Distrito Federal, afirmou o jornal “O Estado de S.Paulo” nesta quinta-feira (12/03).

O político havia declarado ao periódico na terça-feira (10/03) que estava desligado da banca desde o fim de 2018.

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A documentação da cessão de créditos apresenta o nome de Ibaneis Rocha como representante do escritório de advocacia. Ramon Pessoa Dantas, diretor do Fundo Laguz I, assinou pelo lado do fundo, de acordo com o jornal. A banca afirmou que a gerente administrativa utilizou assinatura digital do governador para formalizar o contrato e o termo de cessão.

Os processos judiciais envolvem demandas de servidores da Justiça do Trabalho contra a União. As condenações judiciais totalizavam R$ 103,95 milhões. Os honorários advocatícios correspondiam a 10% desse montante, somando R$ 10,39 milhões. O escritório transferiu 100% dos honorários ao fundo.

A banca declarou ter faturado R$ 5 milhões com a transação. Não há informações sobre o motivo da diferença entre o valor da venda e o montante que o escritório afirma ter recebido.

Pedidos na Justiça

Em 2024, o escritório de Ibaneis passou a fazer pedidos na Justiça para que os valores de honorários fossem pagos ao fundo da Reag. O Fundo Laguz I assinou uma procuração designando a banca como seu representante em qualquer “instância, foro ou tribunal, em juízo ou fora dele”. A procuração concedeu poderes no processo judicial sem cobrança de honorários.

Caio Carvalho Barros, filho de Ibaneis, se tornou sócio e representante da banca de advogados em 2022. Em maio de 2024, o escritório vendeu um crédito de R$ 38 milhões para o fundo Reag Legal Claims, também da Reag.

Operação no mercado

Esse tipo de transação permite que advogados transfiram para outra pessoa ou empresa o direito ao honorário futuro em processos judiciais. O advogado recebe um valor menor de forma imediata.

O escritório Ibaneis Advogados Associados declarou: “A venda teve como objetivo a antecipação, com desagio, de honorários advocatícios devidos ao escritório pela União Federal. Trata-se de negócio jurídico regular, lícito e reiteradamente praticado no mercado por escritórios de advocacia, credores da fazenda pública e instituições financeiras, como forma de abreviar o recebimento, com desagio, de valores decorrentes de ações judiciais contra entes públicos”.

Silvano Gersztel era presidente do Laguz I na época da negociação. Marcos Ferreira Costa é o atual diretor do fundo Laguz I. Costa é o mesmo representante da Reag que apadrinhou dois indicados de Ibaneis no Conselho Fiscal do BRB, conforme revelado pelo Estadão. Os conselheiros renunciaram após a reportagem revelar o caso.

Leia mais: CPMI do INSS convoca cunhado e ex-namorada de Daniel Vorcaro para depoimentos

Gersztel representou outros fundos da Reag na compra de uma parcela da participação dos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná. Gersztel é investigado por suposta lavagem de dinheiro para empresários do setor do combustível ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Investigações

A Reag Investimentos é investigada no caso Master por suspeita de lavagem de dinheiro e ligações com o crime organizado. As operações entre o escritório de Ibaneis e os fundos da Reag são investigadas pela Polícia Federal por suspeita de fraude.

João Carlos Mansur, fundador da Reag, confirmou que o Banco Master era um dos clientes da administradora de recursos em depoimento à CPI do Crime Organizado na quarta-feira (11/03).

Mansur afirmou em depoimento que a Reag foi penalizada por ser “grande e independente”. Mansur negou ligação com o PCC. A companhia é investigada nas operações Compliance Zero e Carbono Oculto por esquemas de lavagem de dinheiro e ligações com o crime organizado.

Em 2024, o Banco Regional de Brasília (BRB) passou a fazer negociações com o Banco Master.

A banca de advogados afirmou que não possui relação com as operações entre o BRB e o Banco Master. O escritório declarou que nunca recebeu recursos da gestora da Reag. A banca afirmou ainda que o fundo continua operando normalmente, sem vinculação com a liquidação da Reag.

O Fundo Laguz I e a assessoria de Ibaneis não comentaram a operação.

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