Influenciador admite à PF que recebeu oferta para defender Vorcaro, diz jornal

Vereador do RS confirmou à corporação abordagem para publicar conteúdo favorável ao Banco Master e atacar adversários do empresário

Por Redação TMC | Atualizado em
Vereador Rony Gabriel fala ao microfone durante sessão na Câmara de Vereadores de Erechim
(Foto: Câmara Municipal de Erechim/Divulgação)

A Polícia Federal iniciou a coleta de depoimentos de influenciadores digitais abordados com ofertas para produzir publicações em defesa do Banco Master e contra desafetos do banqueiro Daniel Vorcaro. O vereador Rony Gabriel, do PL de Erechim (RS), foi ouvido pela corporação. Ele confirmou ter sido procurado para esse tipo de trabalho, segundo o jornal “O Estado de S.Paulo”.

A corporação investiga ataques virtuais direcionados ao Banco Central após a liquidação do Banco Master. Rony Gabriel divulgou publicamente as informações sobre as abordagens. No depoimento à PF, o parlamentar manteve suas declarações e apresentou detalhes adicionais sobre as negociações.

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O vereador relatou que André Salvador o procurou inicialmente oferecendo trabalho na área reputacional e gestão de crise. A identidade de Vorcaro como cliente foi revelada apenas em reunião virtual.

“Foi realizado através do Google Meet. É nesse momento, nessa reunião do Google Meet, aí sim ele deixa claro do que se trata. ‘A gente é uma empresa de gestão de crise. A gente foi contratado por um executivo grande’, como ele já tinha escrito também por WhatsApp. E que se tratava do senhor Daniel Vorcaro, do caso Banco Master”, afirmou Rony à PF, conforme transcrição do depoimento obtida pelo Estadão. O vereador decidiu não aceitar a proposta após descobrir a ligação com Vorcaro.

A investigação identificou matérias que atacaram o processo de liquidação determinado pelo Banco Central. As publicações ocorreram durante discussões sobre a liquidação junto ao Tribunal de Contas da União. O TCU emitia sinais públicos de que anularia o ato praticado.

Padrão de cooptação

A Polícia Federal encontrou nos diálogos do telefone celular de Daniel Vorcaro um padrão similar ao utilizado para cooptar sites jornalísticos. O método envolvia pagamento de patrocínios em troca da utilização desses veículos para atacar adversários.

A corporação avaliou que a campanha contra o Banco Central tinha como finalidade criar apoio na opinião pública para uma possível anulação da liquidação do Master pelo Tribunal de Contas da União.

“As matérias citadas seguem o mesmo modus operandi identificado e reportado ao longo desta representação policial, somando-se, todavia, que, ao mesmo tempo em que buscavam enaltecer o Banco Master, as matérias passaram a lançar ataques ao processo de liquidação determinado pelo Banco Central, ao tempo em que se discutia mencionada liquidação junto ao TCU, que emitia sinais públicos de que anularia o ato praticado”, escreveu a PF em documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.

A Polícia Federal concluiu que os novos fatos demonstravam a “continuidade da trama delitiva” comandada por Vorcaro. O empresário seguiu determinando práticas criminosas mesmo após ter sido libertado.

Leia mais: Como o colapso do Master abalou o sistema financeiro e desencadeou uma crise em Brasília

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