José Antonio Kast, presidente do Chile, acompanhou nesta segunda-feira (16/03) o início das obras de trincheiras na fronteira norte do país, em Arica. A medida integra o “Plano de Escudo da Fronteira”, estratégia do governo para controlar entradas irregulares e combater organizações criminosas na região.
O projeto prevê a instalação de estruturas de contenção em diferentes trechos da divisa norte. As trincheiras terão cerca de três metros de profundidade. O material escavado será usado para erguer um muro adjacente que pode alcançar cinco metros de altura.
Acompanhe tudo o que acontece no Brasil e no mundo: siga a TMC no WhatsApp
As obras começaram nas proximidades do Complexo Fronteiriço de Chacalluta, na divisa entre Chile e Peru. O trecho inicial, entre os marcos 1 e 15 da fronteira, deve se estender por cerca de 600 metros. O plano completo abrange aproximadamente 500 quilômetros da fronteira norte.
Kast deslocou-se à região acompanhado de ministros de segurança e defesa. Autoridades da Macrozona Norte, área que concentra grande parte do fluxo migratório proveniente das fronteiras com Peru e Bolívia, também participaram da visita.
Durante o evento, o presidente afirmou que o objetivo é reforçar o controle fronteiriço. “O tráfico de drogas, o crime organizado e a imigração ilegal não conhecem fronteiras”, declarou. Kast defendeu a necessidade de cooperação regional: “O que fizermos aqui também deverá ser feito mais tarde na Bolívia, no Peru, na Argentina”.
O governo apresenta a iniciativa como necessária para enfrentar redes de crime organizado que atuam na região. Aproximadamente 337 mil estrangeiros vivem atualmente no Chile sem a documentação exigida pelas autoridades.
A construção das barreiras foi uma das principais promessas de campanha de Kast. Durante a disputa presidencial, o político apresentou o plano chamado “Escudo de Fronteira”. Ele afirmou que o Chile enfrenta uma “crise migratória sem precedentes” e que a fronteira norte se tornou um corredor para imigração irregular, tráfico de drogas e contrabando de pessoas.
O presidente dirigiu-se aos foragidos da Justiça: “Qualquer pessoa que esteja foragida ou tenha pendências legais deve se entregar para que não sejamos obrigados a gastar recursos públicos em algo que inevitavelmente acontecerá”.
Entre os dias 12 e 14 de março, autoridades realizaram uma operação policial relacionada ao plano de segurança. A ação envolveu forças dos Carabineros de Chile e da Polícia de Investigaciones de Chile. Mais de 2.500 pessoas procuradas pela Justiça foram presas.
O governo afirma que a iniciativa não tem como objetivo militarizar a fronteira. A proposta é modernizar o sistema de controle migratório e reduzir as entradas irregulares no território.
Leia mais: Emirados Árabes Unidos fecham espaço aéreo por ameaças de mísseis e drones do Irã




