Entre tantos problemas financeiros que o Corinthians tenta resolver, uma mudança recente de postura merece elogio. O clube passou a adotar uma posição simples nas negociações de empréstimo: só libera jogador se o interessado assumir integralmente o salário.
O caso mais recente envolve o atacante Pedro Raul. O Corinthians recebeu sondagens de clubes da Série A, entre eles Vitória e Remo, interessados no centroavante. A resposta da diretoria foi direta: só sai se o clube interessado pagar todo o salário. Caso contrário, não há negociação.
Pode parecer óbvio, mas durante anos o Corinthians fez exatamente o contrário. Emprestava atletas e continuava pagando parte dos vencimentos. Ou seja: o jogador saía do elenco, mas a despesa continuava no balanço.
Um exemplo recente foi o próprio Pedro Raul em 2024, quando acabou emprestado ao Ceará e o Corinthians ainda arcava com parte da folha. Outros casos semelhantes aconteceram nos últimos anos com jogadores que rodaram por clubes do Brasil enquanto o Corinthians seguia pagando uma fatia dos salários.
Essa prática virou um dos fatores que ajudaram a inflar a folha salarial do clube sem que os atletas estivessem, de fato, contribuindo dentro de campo. O Corinthians ficava com o custo e outro clube ficava com o jogador.
Agora a lógica começa a mudar. Pedro Raul foi contratado em 2024 por cerca de US$ 5 milhões e tem contrato até o fim de 2028. Se alguém quiser contar com o atacante, que pague o salário integral. É o mínimo.
Pode não resolver todos os problemas financeiros do Corinthians, mas já mostra uma mudança importante de mentalidade. Durante muito tempo o clube pagou para outros utilizarem seus jogadores. Parar com isso já é, no mínimo, um bom começo.